Frangos magros da grande potência agrícola
Por Neuma Dantas
Com a implementação do Plano Real em 1994, o frango foi alçado à categoria de carro-chefe ou símbolo da estabilização financeira de preços, com o aumento do poder de compra dos brasileiros. Pudera, o quilo da ave custava R$1. De lá pra cá o negócio sofreu alguns reveses que desbancaram a carne de seu trono.
Primeiro foram as baixas do consumo internacional causadas pela expansão da gripe aviária na Europa, Oriente Médio e África. Segundo dados da Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos), entre janeiro e julho/06 os embarques totalizaram 1,426 milhão de toneladas, contra 1,613 milhão de toneladas nos primeiros sete meses de 2005. Com isso, a receita cambial caiu 9,2% no período, para US$ 1,670 bilhão, segundo a Abef.
Os fatos atingiram fortemente os negócios na área, promovendo queda de vendas no exterior, o que gerou um excedente de oferta no mercado interno e os preços chegou a cair até 30% em algumas localidades. Em conseqüência, supermercados venderam o produto em São Paulo, no mês de março/06, a R$0,99 o quilo, menos que há 12 anos atrás, só para esvaziar o produto.
O boom das vendas de frangos brasileiros deu-se em 2004, quando o Brasil foi considerado maior exportador mundial de aves, com vendas de 2,4 milhões de toneladas e receita de 2,5 bilhões de dólares. Segundo a revista Globo Rural, a liderança do Brasil no mercado internacional de carne de frango foi obtida tanto com a ampliação dos mercados de destino, que agora somam mais de 130 países, quanto pelo aumento da rentabilidade das vendas.
O Brasil chegou a essas cifras mesmo com a iniciativa, em 2003, das autoridades européias igualarem em 75% as tarifas para os vários tipos de frango (congelado, resfriado e salgado), para entrar no bloco. Essa postura levou o país a iniciar uma disputa na OMC, e seus argumentos foram reconhecidos pelos árbitros em fevereiro de 2005.
Manifesto divulgado em 01 de setembro, subscrito por 28 entidades e empresas ligadas à produção brasileira de aves chama de “regresso ao colonialismo” a decisão européia de criar cotas para as aves industrializadas exportadas pelos brasileiros aos seus países. O Brasil não gostou da oferta do bloco de cota superior a 140 mil toneladas para o frango salgado e uma muito inferior a 130 mil toneladas para o frango e peru processados por considerar que, pelas normas da OMC, a UE deve oferecer cotas superiores ao volume que importou do Brasil em anos recentes.
Dentro da cota, a tarifa é de 15,4% para o frango salgado, 10,5% para o processado e de 8,4% para os industrializados de peru. Fora das cotas, os produtos serão submetidos à taxa de 1.024 euros por tonelada. Aproveitando a presença do Comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, no encontro entre ministros do G-20 (grupo integrado de 23 países da África, Ásia e América Latina), onde se discutiu principalmente a retomada das negociações da Rodada de Doha, o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, demonstrou o descontentamento do país relacionado aos aumentos das cotas.
Os países em desenvolvimento estão sempre submetidos aos interesses dos grandes blocos econômicos que, seguindo os ditames da globalização, continuam se unindo aos iguais para obter vantagens comerciais e impor barreiras às exportações dos menos poderosos. De acordo com o presidente da Abef, Ricardo Gonçalves, “o volume exportado de carne processada está longe de ameaçar o produtor e o processador europeu” e acrescenta que ele não é suficiente para barrar “ o ímpeto protecionista do bloco”. Não satisfeitos, com “rasteiras” anteriores os europeus continuam cometendo arbitrariedades que comprometem a expansão das exportações de frangos dos produtores brasileiros.
Mesmo quando se considera que o setor representa cerca de 1,5% do PIB nacional e emprega 4 milhões de pessoas, o Brasil enfrenta obstáculos externos com a política protecionista de subsídios agrícolas, e internos com a desvalorização dos próprios negociadores nacionais no comércio internacional. Os desafios estão sendo enfrentados a partir dos recursos impetrados na Organização Mundial do Comércio (OMC) para salvaguardar os direitos soberanos do país de competir no mundo capitalista em condições de igualdade. Mesmo necessitando da carne aviária brasileira eles se vêem audaciosamente, na posição de ainda cobrar alto pela entrada do produto nas terras do primeiro mundo.
“O Brasil deveria ser mais ambicioso” foi o que disse a representante do Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, na reunião do G-20 no Rio, referindo-se à modéstia do país, na apresentação das propostas de acesso ao mercado europeu. “O Brasil é uma potência agrícola”, disse ela. Parece que todos sabem disso, menos os brasileiros. Com exceção do MST.
Primeiro foram as baixas do consumo internacional causadas pela expansão da gripe aviária na Europa, Oriente Médio e África. Segundo dados da Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos), entre janeiro e julho/06 os embarques totalizaram 1,426 milhão de toneladas, contra 1,613 milhão de toneladas nos primeiros sete meses de 2005. Com isso, a receita cambial caiu 9,2% no período, para US$ 1,670 bilhão, segundo a Abef.
Os fatos atingiram fortemente os negócios na área, promovendo queda de vendas no exterior, o que gerou um excedente de oferta no mercado interno e os preços chegou a cair até 30% em algumas localidades. Em conseqüência, supermercados venderam o produto em São Paulo, no mês de março/06, a R$0,99 o quilo, menos que há 12 anos atrás, só para esvaziar o produto.
O boom das vendas de frangos brasileiros deu-se em 2004, quando o Brasil foi considerado maior exportador mundial de aves, com vendas de 2,4 milhões de toneladas e receita de 2,5 bilhões de dólares. Segundo a revista Globo Rural, a liderança do Brasil no mercado internacional de carne de frango foi obtida tanto com a ampliação dos mercados de destino, que agora somam mais de 130 países, quanto pelo aumento da rentabilidade das vendas.
O Brasil chegou a essas cifras mesmo com a iniciativa, em 2003, das autoridades européias igualarem em 75% as tarifas para os vários tipos de frango (congelado, resfriado e salgado), para entrar no bloco. Essa postura levou o país a iniciar uma disputa na OMC, e seus argumentos foram reconhecidos pelos árbitros em fevereiro de 2005.
Manifesto divulgado em 01 de setembro, subscrito por 28 entidades e empresas ligadas à produção brasileira de aves chama de “regresso ao colonialismo” a decisão européia de criar cotas para as aves industrializadas exportadas pelos brasileiros aos seus países. O Brasil não gostou da oferta do bloco de cota superior a 140 mil toneladas para o frango salgado e uma muito inferior a 130 mil toneladas para o frango e peru processados por considerar que, pelas normas da OMC, a UE deve oferecer cotas superiores ao volume que importou do Brasil em anos recentes.
Dentro da cota, a tarifa é de 15,4% para o frango salgado, 10,5% para o processado e de 8,4% para os industrializados de peru. Fora das cotas, os produtos serão submetidos à taxa de 1.024 euros por tonelada. Aproveitando a presença do Comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, no encontro entre ministros do G-20 (grupo integrado de 23 países da África, Ásia e América Latina), onde se discutiu principalmente a retomada das negociações da Rodada de Doha, o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, demonstrou o descontentamento do país relacionado aos aumentos das cotas.
Os países em desenvolvimento estão sempre submetidos aos interesses dos grandes blocos econômicos que, seguindo os ditames da globalização, continuam se unindo aos iguais para obter vantagens comerciais e impor barreiras às exportações dos menos poderosos. De acordo com o presidente da Abef, Ricardo Gonçalves, “o volume exportado de carne processada está longe de ameaçar o produtor e o processador europeu” e acrescenta que ele não é suficiente para barrar “ o ímpeto protecionista do bloco”. Não satisfeitos, com “rasteiras” anteriores os europeus continuam cometendo arbitrariedades que comprometem a expansão das exportações de frangos dos produtores brasileiros.
Mesmo quando se considera que o setor representa cerca de 1,5% do PIB nacional e emprega 4 milhões de pessoas, o Brasil enfrenta obstáculos externos com a política protecionista de subsídios agrícolas, e internos com a desvalorização dos próprios negociadores nacionais no comércio internacional. Os desafios estão sendo enfrentados a partir dos recursos impetrados na Organização Mundial do Comércio (OMC) para salvaguardar os direitos soberanos do país de competir no mundo capitalista em condições de igualdade. Mesmo necessitando da carne aviária brasileira eles se vêem audaciosamente, na posição de ainda cobrar alto pela entrada do produto nas terras do primeiro mundo.
“O Brasil deveria ser mais ambicioso” foi o que disse a representante do Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, na reunião do G-20 no Rio, referindo-se à modéstia do país, na apresentação das propostas de acesso ao mercado europeu. “O Brasil é uma potência agrícola”, disse ela. Parece que todos sabem disso, menos os brasileiros. Com exceção do MST.

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