Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Sunday, October 08, 2006

Sobretaxas de exportação podem fazer o Brasil perder US$ 300 milhões por ano

Bruna Bianca


Na última quarta-feira (13/09) o Brasil realizou em Genebra (Suíça), uma reunião com a Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir sobre as sobretaxas cobradas para os cortes de peito de frango salgado. Hoje a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef) estima em US$ 300 milhões anuais as perdas com a alta da tarifa européia.

O frango congelado brasileiro pagava tarifa de importação de 75%, mas a partir de 2001, os cortes de peito de frango salgado passaram a pagar 15,4%. Em 2003 as autoridades européias igualaram em 75% as tarifas para os vários tipos de frango (congelado, resfriado e salgado).

De acordo com o embaixador Guilherme Leite Ribeiro, chefe do escritório financeiro das relações exteriores em Nova York, o Brasil tem o maior potencial de terras agrárias do mundo e o segundo maior produtor de frango, o que faz o Brasil ser o segundo maior exportador de frango do globo, enviando mercadoria inclusive para a União Européia (UE).

Isso acontece porque o país possui vantagens comparativas (produzir algo com menor custo/insumos mais baratos aqui) e absolutas (relação de tempo e quantidade de produção) na criação de frango em relação a qualquer país do mundo com custo da produção de frango menor do que em qualquer outro lugar.

Tais vantagens ocorrem, por conta do investimento em tecnologia de ponta para a criação de frango, e ao preço dos insumos como milho, sorgo e outros grãos utilizados para alimentar as aves, que são muito baratos, devido em grande parte ao clima favorável e terras abundantes para o cultivo.

Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo em maio de 2005, apenas no ano de 2004, a UE foi responsável por 19% das receitas brasileiras com as exportações de frango.Isso significa ser esta uma fonte rentável para o país. Se o Brasil não exportasse frango, na época, iria ter uma perda em divisas estimadas na ordem de 469 milhões de dólares por ano.

Por conta disso, os europeus não têm como competir nem com o preço nem com a qualidade de nossa carne branca. Deste modo, para proteger seus criadores de frango a União Européia sobretaxa o produto proveniente do Brasil. Práticas essas que são proibidas pela OMC, por tornar o comércio mundial injusto, especialmente para os países em desenvolvimento.

O Brasil, por outro lado, tem vencido importantes batalhas na OMC, referentes aos subsídios oferecidos pela União Européia e os Estados Unidos a seus produtores de açúcar. Portanto, é mais que justo que o país recorra a OMC para fazer valer seus direitos em tempos de livre comércio. Por de trás dessa barreira comercial imposta pelos europeus, sobre a forma de sobretaxas, esconde-se o cruel lado social do problema, pois com o país exportando menos, empregos estão em ameaça, já que o trabalhador menos qualificado acaba sempre sendo penalizado.

Além disso, se tais imposições continuarem em vigor, existe o risco da balança comercial brasileira pesar negativamente (diferença entre exportação e importação). A exportação mesmo que indiretamente gera empregos, traz divisas para o país e gera melhoras no quadro social brasileiro. A sobretaxa na exportação do frango pelos europeus é desleal, fere o principio do livre mercado e dificulta o crescimento sustentável de nações em desenvolvimento como o Brasil.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u96575.shtml
http://www.radiobras.gov.br/abrn/brasil/brasilsabia.htm

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