Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Wednesday, October 18, 2006

O furacão cítrico

Neuma Dantas
Apesar do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) prevê uma colheita de 340 milhões de caixas de laranja no ano-safra paulista 2006/07, ante 290 milhões no ciclo anterior, ao preço de R$12,20 por caixa de 40,8 kg., esse volume não significa que o movimento dos preços no Brasil tenha expressivo efeito sobre as cotações dos contratos futuros do suco de laranja negociados na bolsa de Nova York.
A análise feita no Fimat Futures pelo analista Michael McDougall leva à uma contradição no mercado internacional de cítricos. A plantação nacional, beneficiada com chuvas e frente fria, conforme Margarete Boteon, pesquisadora do Cepea, garantirá 80% dos frutos à indústria brasileira. Com essa alta, os preços alcançaram um acréscimo de 6,4% no mercado interno, comparados ao mês de agosto/06, passando a caixa de 40,8 kg a custar, R$12,20.
Para completar o cenário positivo da safra de São Paulo, os preços no mercado físico subiram 0,6% no mês passado provocados pela oferta escassa de frutas de boa qualidade no mercado interno e a grande procura pelas indústrias exportadoras de suco. Diante do quadro positivo e da necessidade de um reajuste emergencial dos contratos de fornecimento na temporada 2006/07, os produtores aguardam a posição das indústrias para alavancar seus lucros.
As empresas esperam a aprovação da minuta do acordo pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) até o fim do mês. Tal expectativa justifica-se pela defasagem nos negócios externos de contratos, sobretudo os fechados abaixo de US$ 3 por caixa.
Dos furacões no estado da Flórida, maior competidor do Brasil em produção de sucos cítricos, depende as oscilações, em valores, dos preços do produto na bolsa de Nova York e o volume de exportações de laranjas brasileiras para os Estados Unidos. Como a tempestade tropical Florence não passará pelo estado, em conseqüência, o contrato para novembro recuou, para US$ 1,8035, nessa sexta-feira.
A contradição se estabelece no comparativo das safras. A estimativa mais recente para a Flórida é de 123 milhões de caixas, ante projeções iniciais de 170 contra 340 milhões paulistas. Não obstante São Paulo prevê maior colheita de laranjas, garantindo-lhe lucratividade em solo nacional, seu desempenho não influencia a bolsa nova-iorquina; ao contrário, vai amargar a baixa dos contratos futuros em 10 pontos percentuais.
Segundo MacDougall os preços do suco subiram mais de 200% desde 2004 e a tendência é de alta neste mês. (CB)

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