Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Wednesday, October 18, 2006

Primeira batalha na guerra do poder

Neuma Dantas
Os dois candidatos às eleições presidenciais da república defrontaram-se ontem num debate, considerado no mínimo, desfocado dos interesses públicos.
Os postulantes ao maior cargo do país envolveram-se em agressões relativas aos seus feitos políticos e a posturas comprometedoras de seus respectivos partidos. Embora Lula tenha tentado discutir temas básicos de programas de governo, a hipocrisia travestida de ética e a corrupção dominou o tom das respostas, levadas pelo tucano Alckmin.
O debate promovido pela rede Bandeirantes de Televisão, mediado por Ricardo Boechat, foi dividido em cinco blocos, o último dos quais com a participação dos jornalistas Franklin Martins, Joelmir Beting, Fernando Vieira de Mello e José Paulo de Andrade, argüindo os candidatos.
Numa pesquisa realizada pelo DataFolha no dia seguinte ao debate, 39% da população brasileira assistiu ao programa. Conforme Renato, os eleitores consideraram empate para ambos os presidenciáveis, considerando a margem de erro, de apenas dois pontos percentuais, 43 e 41 por cento, ligeiramente favorável a Alckmin.
“Lula foi mal no começo. Nervoso, não respondeu de maneira convincente as acusações de corrupção. Alckmin também não ficou atrás, ao deixar em aberto os casos obscuros de governos tucanos e do seu próprio, em São Paulo”. Essa é uma avaliação feita por Fernando Rodrigues em seu blog no UOL dia seguinte ao debate. Para ele é difícil dizer quem venceu, o jornalista considera que o eleitor, sim, foi beneficiado com o confronto dos candidatos.
O jornal O Estado de São Paulo, avaliou o encontro televisivo entre Alckmin e Lula como uma “guerra de números e troca de ataques e provocações”, sem contudo trazer conteúdo programático. O jornal também salientou o tom agressivo e incomum do candidato oposicionista. Enfim, para o Estadão, perguntas contundentes como casos de corrupção no PT e abafamento de CPIs pelo PSDB, ficaram sem respostas.

“Não perca tempo com debates” foi o título da coluna escrita por Paulo Nassar, na Terra Magazine, sobre o assunto. O colunista disse que os candidatos perderam sua identidade, respondendo às perguntas segundo “um script mecanicista”, e acrescentou que tempo perdeu quem assistiu “aquele simulacro de debate”, quando se pode conferir “a irrelevância da arena política”.
Professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Paulo Nassar alfineta os profissionais de comunicação, afirmando que “nesses debates, as roupas, maquiagens, as torcidas, os temas são obras de equipes multidisciplinares de comunicação, nas quais relações-públicas, jornalistas e publicitários se transformam em spins- doctors”, ou seja “aqueles protagonistas das sombras do marketing político que trabalham movidos por muita grana para desqualificar os adversários girando na contra-mão dos fatos”, acrescenta o Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), constatando que de política há pouco nos debates.
O jornal A Tarde Online formou enquete dia seguinte ao confronte televisivo, quando 21.470 internautas responderam à pergunta “quem teve melhor desempenho no debate?”. No final da semana 66,46% dos votantes consideraram o presidente Lula vencedor do embate. Os outros 33,54% dos eleitores acreditaram que o opositor foi melhor.

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