Construção X Desconstrução política
Neuma Dantas
Construções e desconstruções
Passado o primeiro turno
Os candidatos arregimentam forças com novas alianças para enfrentar o pleito definitivo. O candidato Lula considerou a importância de realização de uma segunda etapa nas eleições para garantir a governabilidade. “Na política os momentos bons tardam, mas acabam acontecendo” afirmou o presidente no Rio, ao receber apoio do PMDB. Alckmin por sua vez acha que não há eleição fácil e é bom que seja disputada. “Quem ganha é o povo”, declara.
Como conseqüências das eleições de 2006, apenas sete legendas (PT, PMDB, PDT, PSDB, PFL, OO e PSB) conseguiram bom desempenho nas urnas, alcançando a cláusula de barreira e 20 partidos, incluindo grupos tradicionais, perdem espaço na Câmara. Trata-se da regra de obter pelo menos 5% da votação para deputado federal, mais 2% dos votos distribuídos em nove estados.
A partir da próxima legislação não terão o direito de acessar o fundo partidário, participações nas CPI, comissões permanentes, cargos de liderança e fazer propaganda regular e gratuita no rádio e na TV etc. A solução será fundir partidos pequenos com os maiores. Por enquanto, o objetivo da cláusula foi alcançado: diminuir o número de siglas partidárias. Resta agora, a ação maior, a reforma política brasileira.
BAHIA revelada
A maior surpresa das eleições ocorreu em terras baianas com a vitória do ex- Ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, que derrotou o grupo político do senador Antonio Carlos Magalhães com seus apadrinhados. Embora as pesquisas nem acenassem um 2º turno para o petista, a vitória menos se configurou um milagre para a esquerda ou uma derrota do governador Paulo Souto (PFL). Foi mais uma resposta ao coronelismo implantado pelo PFL baiano, uma negativa ao continuísmo político ou ao cansaço às práticas opressoras.
Esse acontecimento não trata apenas de uma virada nos 40 anos de hegemonia do grupo que se considerava dono da Bahia, ele significa mudanças de paradigmas políticos, liberdade de escolha e transformação de um curral eleitoral numa debandada de pássaros ao se livrar da gaiola. Tais demonstrações foram constatadas nas últimas eleições para o poder executivo na capital, agora o estadual e o senado federal com o triunfo do ex-governador, João Durval Carneiro, pai do prefeito João Henrique, sobre o candidato governista.
A vitória das oposições foi trabalhada exaustivamente ao longo da campanha, principalmente no interior do estado. A proposta da “casadinha” surtiu efeito. O eleitor baiano, talvez com receio de represálias políticas, somados aos motivos explícitos, não confessou abertamente suas intenções para as urnas. Essa é uma explicação plausível para a enxurrada de votos que surpreendeu até mesmo a coligação, derrotando o carlismo.
Constatado nas urnas o candidato do PT foi agraciado com 3.242.336 votos perfazendo 52,89 pontos percentuais a favor. O governador Paulo Souto recebeu 2.638.215 o que corresponde a 43,03% dos votos baianos. Passada a surpresa, o governador eleito foi convocado a incorporar a comissão de coordenação da campanha do PT, enquanto o senador segue seus conhecidos métodos ameaçando “voltar triunfalmente após o mau governo de Wagner”. Sonha quem perdeu.
As eleições para a presidência da República serão definidas numa segunda rodada de votação nacional, dia 29 de outubro/06, isso porque o candidato Luis Inácio Lula da Silva (PT/PCdoB,PMN/PTB), com preferência atestada pelas pesquisas eleitorais, não desbancou no 1º turno, como se previa, o 2º colocado, Geraldo Alckmin (PSDB/PFL). Ao contrário, na Bahia, o petista Jacques Wagner, ex-Ministro das Relações Institucionais, aglutinando nove partidos de oposição derrotou, no 1º pleito, o governador Paulo Souto (PFL). Derrota flagorosa do cacique Antonio Carlos Magalhães. A maior surpresa da eleição 2006.
Dos 125.913.479 eleitores inscritos, 48,61% escolheram votar no número 13, identificação do candidato que disputava a reeileção. Na reta final, Lula totalizava 46.662.365 votos distribuídos, principalmente, entre os estados do Norte, Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde os números mostraram percentuais de até 77,86%. Alckmin, identificado como “o candidato dos ricos” liderou a votação nos estados do Sul, Sudeste e Roraima, com 41,64% que totalizaram 39.968.369 votos válidos. Heloisa Helena (PSOL/PSTU/PCB) 6,85 % (6.575.393) e Cristovam Buarque (PDT), 2,64 %, 2.538.844 votos seguiram na contagem.
Campanha sem brilho, sem diálogo de idéias, sem interesse público e programas pouco interessantes do ponto de vista da administração de um país com a 63ª classificação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Frágeis atitudes cidadãs por parte dos eleitores, sobretudo pela pobreza da educação básica brasileira perfizeram uma campanha pífia. O que se viu foram ataques sob forma de dardos lançados por nomes comprometidos igualmente com métodos ilícitos para conseguir sucesso nas urnas.
Dos 125.913.479 eleitores inscritos, 48,61% escolheram votar no número 13, identificação do candidato que disputava a reeileção. Na reta final, Lula totalizava 46.662.365 votos distribuídos, principalmente, entre os estados do Norte, Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde os números mostraram percentuais de até 77,86%. Alckmin, identificado como “o candidato dos ricos” liderou a votação nos estados do Sul, Sudeste e Roraima, com 41,64% que totalizaram 39.968.369 votos válidos. Heloisa Helena (PSOL/PSTU/PCB) 6,85 % (6.575.393) e Cristovam Buarque (PDT), 2,64 %, 2.538.844 votos seguiram na contagem.
Campanha sem brilho, sem diálogo de idéias, sem interesse público e programas pouco interessantes do ponto de vista da administração de um país com a 63ª classificação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Frágeis atitudes cidadãs por parte dos eleitores, sobretudo pela pobreza da educação básica brasileira perfizeram uma campanha pífia. O que se viu foram ataques sob forma de dardos lançados por nomes comprometidos igualmente com métodos ilícitos para conseguir sucesso nas urnas.
Construções e desconstruções
Internas e externas ao Partido dos Trabalhadores contribuíram não só para abalar a imagem do operário-presidente que edificou, desde o final dos anos 70, como sindicalista, uma imagem que atraia intelectuais e amedrontava empresário, como também para perder votos. O PT, também fundado por Lula, ao completar 25 anos chegou ao poder numa onda de esperança surgida do descrédito nas posturas e práticas da classe política brasileira.
O povo creditou ao líder a reforma moral de um país já contaminado pela corrupção no parlamento e fora dele. Este, com uma história imaculada, voltou-se, emergencialmente, para os segmentos sociais e a população menos favorecida que o elegeu em massa. Auxiliares do presidente cederam às tentações do Congresso, compactuando com atitudes pouco éticas e costumeiras da Casa. Assim, escândalos explodiram, atingindo não só seus auxiliares como a própria estrela do partido, constituindo-se numa auto-destruição de suas bases.
A tentativa de compra de um dossiê com provas do envolvimento do ex-ministro da Saúde, José Serra, nas denúncias de superfaturamento de ambulâncias, mesmo não favorecendo a eleição presidencial, junto a ausência do presidente-candidato ao último debate pela televisão, influiu negativamente na vitória do PT.
Embora a economia tenha melhorado seus índices, 7 milhões de empregos oferecidos, mais de 19% de brasileiros afastados do estado da pobreza de acordo com os últimos esultados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) e Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o quadro neo-liberal não mudou muito. Por essas razões, mais o desprezo da maioria dos meios de comunicação e, os motivos citados acima, as urnas não decidiram o pleito imediatamente. A votação do candidato paulistano barrou os quase 50 pontos mais um, alcançados pelo primeiro colocado, na corrida final das eleições no primeiro período.
O povo creditou ao líder a reforma moral de um país já contaminado pela corrupção no parlamento e fora dele. Este, com uma história imaculada, voltou-se, emergencialmente, para os segmentos sociais e a população menos favorecida que o elegeu em massa. Auxiliares do presidente cederam às tentações do Congresso, compactuando com atitudes pouco éticas e costumeiras da Casa. Assim, escândalos explodiram, atingindo não só seus auxiliares como a própria estrela do partido, constituindo-se numa auto-destruição de suas bases.
A tentativa de compra de um dossiê com provas do envolvimento do ex-ministro da Saúde, José Serra, nas denúncias de superfaturamento de ambulâncias, mesmo não favorecendo a eleição presidencial, junto a ausência do presidente-candidato ao último debate pela televisão, influiu negativamente na vitória do PT.
Embora a economia tenha melhorado seus índices, 7 milhões de empregos oferecidos, mais de 19% de brasileiros afastados do estado da pobreza de acordo com os últimos esultados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) e Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o quadro neo-liberal não mudou muito. Por essas razões, mais o desprezo da maioria dos meios de comunicação e, os motivos citados acima, as urnas não decidiram o pleito imediatamente. A votação do candidato paulistano barrou os quase 50 pontos mais um, alcançados pelo primeiro colocado, na corrida final das eleições no primeiro período.
Passado o primeiro turno
Os candidatos arregimentam forças com novas alianças para enfrentar o pleito definitivo. O candidato Lula considerou a importância de realização de uma segunda etapa nas eleições para garantir a governabilidade. “Na política os momentos bons tardam, mas acabam acontecendo” afirmou o presidente no Rio, ao receber apoio do PMDB. Alckmin por sua vez acha que não há eleição fácil e é bom que seja disputada. “Quem ganha é o povo”, declara.
Como conseqüências das eleições de 2006, apenas sete legendas (PT, PMDB, PDT, PSDB, PFL, OO e PSB) conseguiram bom desempenho nas urnas, alcançando a cláusula de barreira e 20 partidos, incluindo grupos tradicionais, perdem espaço na Câmara. Trata-se da regra de obter pelo menos 5% da votação para deputado federal, mais 2% dos votos distribuídos em nove estados.
A partir da próxima legislação não terão o direito de acessar o fundo partidário, participações nas CPI, comissões permanentes, cargos de liderança e fazer propaganda regular e gratuita no rádio e na TV etc. A solução será fundir partidos pequenos com os maiores. Por enquanto, o objetivo da cláusula foi alcançado: diminuir o número de siglas partidárias. Resta agora, a ação maior, a reforma política brasileira.
BAHIA revelada
A maior surpresa das eleições ocorreu em terras baianas com a vitória do ex- Ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, que derrotou o grupo político do senador Antonio Carlos Magalhães com seus apadrinhados. Embora as pesquisas nem acenassem um 2º turno para o petista, a vitória menos se configurou um milagre para a esquerda ou uma derrota do governador Paulo Souto (PFL). Foi mais uma resposta ao coronelismo implantado pelo PFL baiano, uma negativa ao continuísmo político ou ao cansaço às práticas opressoras.
Esse acontecimento não trata apenas de uma virada nos 40 anos de hegemonia do grupo que se considerava dono da Bahia, ele significa mudanças de paradigmas políticos, liberdade de escolha e transformação de um curral eleitoral numa debandada de pássaros ao se livrar da gaiola. Tais demonstrações foram constatadas nas últimas eleições para o poder executivo na capital, agora o estadual e o senado federal com o triunfo do ex-governador, João Durval Carneiro, pai do prefeito João Henrique, sobre o candidato governista.
A vitória das oposições foi trabalhada exaustivamente ao longo da campanha, principalmente no interior do estado. A proposta da “casadinha” surtiu efeito. O eleitor baiano, talvez com receio de represálias políticas, somados aos motivos explícitos, não confessou abertamente suas intenções para as urnas. Essa é uma explicação plausível para a enxurrada de votos que surpreendeu até mesmo a coligação, derrotando o carlismo.
Constatado nas urnas o candidato do PT foi agraciado com 3.242.336 votos perfazendo 52,89 pontos percentuais a favor. O governador Paulo Souto recebeu 2.638.215 o que corresponde a 43,03% dos votos baianos. Passada a surpresa, o governador eleito foi convocado a incorporar a comissão de coordenação da campanha do PT, enquanto o senador segue seus conhecidos métodos ameaçando “voltar triunfalmente após o mau governo de Wagner”. Sonha quem perdeu.

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