Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Monday, November 20, 2006

Acaba a era PFL na Bahia e Lula é reeleito

Por: Diego Luduvice
13-11-2006

Neste ano de 2006, como na maioria dos períodos eleitorais anteriores, não houve surpresas com relação ao posicionamento dos candidatos e das propostas apresentadas. No entanto, as campanhas eleitoreiras para presidente, senador, governador, deputado federal e estadual tiveram como pauta principal os escândalos do atual governo Lula. Mensalão, compra do dossiê por petistas contra os tucanos e as máfias da ambulância conhecida como sanguessugas, foram os principais assuntos tratados nos debates e nas propagandas eleitorais.

As propostas que vinham à tona sempre tinham o mesmo teor de desenvolvimento em áreas como saúde, educação, emprego e moradia. Os direcionamentos sempre foram distintos, já que revelam o modo de governar de acordo com o caráter ideológico proposto por cada partido e seus indivíduos.


Mudança no maior estado do Nordeste

Na Bahia, o candidato à reeleição como governador Paulo Souto do PFL, demonstrava superioridade em todas as pesquisas apresentadas. O seu principal oponente foi o candidato do PT e ex-ministro Jaques Wagner, que nas pesquisas sempre se apresentava em segundo nas intenções de voto dos baianos. Outros candidatos como Átila Brandão do PSC – PDT e Hilton Coelho do PSOL, não obtinham destaque em relação às pesquisas durante o processo eleitoral.

A vitória de Paulo Souto era eminente até para os mais esperançosos petistas que nem acreditavam em um possível segundo turno para governador. Toda esta conjuntura deve-se a força conquistada pelo PFL ao longo da história da Bahia, tendo como figura principal a imagem do coronel Antônio Carlos Magalhães.

O discurso do candidato Paulo Souto tinha uma linha bem definida. A Bahia é o estado que mais cresce no Nordeste e seu PIB superou até o nacional. Esta era o principal ênfase dada pelo candidato, juntamente com sua frase de campanha: “Já fizemos muito, mas sei que ainda a muito mais para se fazer”. Em contrapartida, o candidato do PT Jaques Wagner mostrava-se sempre disposto a enfatizar que o período em que os membros do PFL governam a Bahia estendeu-se demais, porém sem conquistar um desenvolvimento favorável para a população.

Apesar das pesquisas revelarem a reeleição de Paulo Souto no primeiro turno, o partido do PT convocava a sociedade para uma virada e transformação no governo que já durava 16 anos sobre domínio do PFL. Com certeza, o resultado das eleições para governador na Bahia foi considerado surpreendente diante do quadro que se apresentava durante todo período pré-eleitoral. As manchetes de todos os jornais mostravam a virada de Jaques Wagner que foi eleito no primeiro turno com 52,89% dos votos válidos totalizando 3.242.336 votos, contra 2.638.215 votos para Paulo Souto o que significa 43,03% dos votos válidos.


Já para presidente...

Era notória a reeleição de Lula para presidência do Brasil. Talvez pelo forte apelo que o governo vez pelo social com programas como Bolsa Família e Fome Zero. Também pode ter sido pela ascensão de cerca de 10% da população da classe D para a classe média. Mas os resultados do primeiro turno se mostraram destoantes das sugestões reveladas pelas pesquisas de votos assim como aconteceu na Bahia na disputa pelo governo. No primeiro turno Lula obteve 48,61% dos votos válidos contra 41,64% de votos para Geraldo Alckmin, o que levou a decisão para o segundo turno no dia 29 de outubro.

No debate realizado no domingo dia oito de outubro pela rede de Televisão Bandeirantes, entre os candidatos a presidência no segundo turno Geraldo Alckmin e Luís Inácio “Lula” da Silva, houve uma intensa troca de ofensa numa discussão norteada pela ética na política. Vários foram os questionamentos feitos por Alckmin em relação ao dossiê e sua suposta compra por petistas. Em resposta, o presidente Lula citou inúmeros dados comparativos do governo atual em relação aos oito anos de governo dos tucanos.

O debate serviu como uma prévia do que se revelou as ultimas semanas até o dia da eleição: uma campanha pautada no confronto direto e sem teor discursivo sobre projetos de melhorias para o país. Os jornais do sul do Brasil destacam em suas manchetes o constante ataque de Alckmin treinado incessantemente com os assessores, em contrapartida Lula se defendia demonstrando números do seu governo.

Após todas as problemáticas que envolveram o processo eleitoral para presidente neste ano de 2006, o resultado revelou que a maior parte da sociedade brasileira está satisfeita com o governo populista de Lula que obteve 58.295.042 votos, o que representa 60,83% dos votos válidos. Já Geraldo Alckmin, teve 39,17% dos votos válidos num total de 37.543.178 votos.

Saturday, November 11, 2006

A Causa Operária defende Salário, Trabalho e Terra

Por Bruna Bianca, Neuma Dantas, Vauline Gonçalves e Diego Luduvice
















Partido defende direitos dos trabalhadores

O PCO nascido como Ala Majoritária, fundadora do PT, tornou-se independente e continua defendendo os interesses de um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.


O Partido da Causa Operária (PCO) nasce tendo como referências o Manifesto Comunista escrito por Karl Marx e Friedrich Engels em 1948 e a organização fundada por Trotsky: a IV Internacional, fundada numa conferência realizada em Paris, em 03 de setembro de 1938. Os ideais marxistas de tradição trotskista objetivam defender o interesse da classe operária, chamada por eles de explorada e oprimida.


Proveniente de uma ruptura interna no PT, o PCO se define como um partido ideológico marxista e revolucionário, porque pleiteia a derrubada do regime vigente e a substituição por outro: o socialismo. Defende que os trabalhadores, organizados dentro de um partido, é que irão resolver os problemas dos próprios trabalhadores.


O surgimento

De acordo com o coordenador de campanha e comunicação regional do PCO, Beijamin Casales, o partido surgiu de uma discordância entre a parte majoritária do PT e uma “tendência” dentro do mesmo. Segundo Casales, os então simpatizantes dessa “tendência” ajudaram a fundar o PT em 1979, mas durante as eleições de 84, para o governo de São Paulo, o PCO tomou a iniciativa de lançar a palavra de ordem, como é chamada pelo coordenador, “quem bate cartão não vota em patrão”. Esse slogan não agradou o partido dos trabalhadores, que rejeitou a palavra de ordem justamente por seu caráter e por ser ideológica.

Professor da Universidade Estadual de Maringá, Antonio Ozaí da Silva, em artigo no site www.espacoacademico.com.br/004/04trotskismo.htm#_ftn1 explica que as discordâncias entre o PT, criado pela Causa Operária, e o PCO começaram no 5º Encontro Nacional, envolvendo posturas contraditórias. O PCO argumenta que “ a vanguarda revolucionária não pode ficar atrelada a um partido pequeno-burguês democratizante”. O Diretório Nacional do PT por sua vez, decidiu não reconhecer a Causa Operária como Tendência interna.

Segundo Ozaí da Silva foi a Causa Operária que tomou a iniciativa de não mais ficar “atrelada” ao PT. “Gushiken, na época, declarou à imprensa: “O PT é altamente flexível, mas eles ultrapassaram os limites da divergências aceitáveis” do partido, repete o autor de Historia das Tendências no Brasil.

Nas eleições de 1989, mais uma desavença selou o destino dos dois partidos: o PT escolheu para vice de Lula om candidato José Paulo Bisol, um latifundiário do Rio Grande do Sul. No entanto, o PCO queria que o vice fosse um membro do MST.

A Causa Operária fez uma campanha agressiva para tirar o Bisol, e, segundo conta Casales, este foi o motivo pelo qual o PT expulsou do partido os membros do PCO. “Defendemos a independência política dos trabalhadores, usando a palavra de ordem que o PT recusou e fazendo oposição ao Partido dos Trabalhadores”, diz o coordenador.


Idéias revolucionárias

Com sua postura e idéias polêmicas, a Causa Operária choca e instiga paixões na sociedade. Defende a abolição da propriedade privada, é contra as grandes corporações industriais e comerciais, ao Estado burguês e pretende promover a revolução agrária, independência nacional. Além disso, defende um governo próprio que reúna organizações operárias, camponesas, da juventude e de todos os explorados. Segundo Casales, “a revolução se dará de duas formas: ou pela violência generalizada ou de forma socialista e organizada”.

Antônio Eduardo disse certa vez na reta final da campanha para governador agora em 2006, que o PCO é um partido que disputa até eleição de sindico de prédio. Revelou ainda que o maior intuito do partido é despertar na sociedade um sentimento revolucionário convocando o povo para uma mudança na qual participem todas as classes há tempos exclusas do processo governamental.

De acordo com o cientista político, Sandro Santa Bárbara, os ideais do PCO servem para reacender o debate sobre a real necessidade de existência de um sistema como o capitalismo.

Apesar de pontuar que, o que vem para provocar reflexão é válido e que nem mesmo as idéias mais radicais são problema, o professor acredita, no entanto, que falta um pouco mais de desprendimento aos militantes dos partidos dessa origem “para avaliar a história do socialismo e compreender a necessidade de interpretar o mundo a partir das condições reais e objetivas nas quais vivemos”, defende.

Já para Lázaro Araújo dos Santos, 21, militante do PT e que se auto-intitula socialista, “é preciso conhecer realmente os complexos do Brasil e pensar num todo na hora de propor mudanças”. Além disso, Lázaro afirma que na campanha eleitoral de Lula em 2002, para seu primeiro mandato, este tipo de posicionamento foi muito ouvido, no entanto era encarado pelos adversários como a imagem que surgia de um novo ditador, que censuraria imprensa, teatro, e músicos. O militante ainda completa: “e outro caso, é definir qual o Socialismo para o Brasil, pois os Partidos que pregam o Socialismo não definiram. Temos que discutir as raízes de todos os problemas”.

Pensar Brasil Socialista por pensar não basta, já que existe uma dívida com o povo negro. A política no Brasil tem que ser pensada para todos, negros e brancos, jovens e idosos, homens e mulheres, embora essas denominações de classes raciais não sejam tão aceitas. Como diria Gabriel O Pensador, "no Brasil somos todos mestiços". Enfim, é preciso se pensar em reparação e igualdade social.

O programa do Partido da Causa Operária enfatiza a recuperação do poder de compra dos trabalhadores, através da recuperação das perdas salariais sofridas com o plano real, dando condições para que tenham acesso à moradia, educação, alimentação, transporte, lazer, entre outros.

O PCO propõe ainda, o não pagamento da dívida externa, o fim das privatizações e o cancelamento das que já foram feitas; nenhum imposto sobre o consumo e os salários, estatização do sistema financeiro, das tvs e rádios, serviço militar de três meses para todos etc.

Finanças

“O PCO é um partido independente (sem alianças), não recebe ajuda financeira de nenhuma empresa ou sindicato. Ao contrário dos outros partidos, a gente não se aproveita dos movimentos sociais”, declara Casales.

Conforme o coordenador da campanha, os recursos do PCO vêm da contribuição dos trabalhadores e do voluntariado (panfletagem, eventos, comunicação, etc). O partido se mantém por meio dos militantes ativos (pessoas que doam uma porcentagem de seu salário), e dos militantes simpatizantes, que contribuem através da compra do jornal semanal “Causa Operária” (tiragem de 20 mil exemplares em todo o país) e dos ingressos dos eventos. Além disso, há rifas, bônus eleitoral (doação direcionada a campanha), jantares, festas, etc.

Outra fonte de renda provém da cooperação da Fundação João Jorge Costa Pimenta, com sede na cidade de São Paulo, que tem a finalidade de realizar simpósios, cursos, seminários, manter e assessorar parlamentares, dirigentes partidários, militantes, correligionários e administradores públicos; da contribuição de seus filiados e simpatizantes, doações, dotação do fundo partidário, rendas eventuais e receitas de serviços decorrentes de atividades financeiras, partidárias entre outros não declarados.

A organização

A sede central do partido encontra-se em Brasília, representado pelo Presidente Nacional, Ruy da Costa Pimenta, ou por outro membro da direção nacional indicado para esse fim. Nos Estados, Distrito Federal e Territórios Federais, a representação é exercida pelo Presidente estadual ou por outro membro da sua direção estadual, distrital ou territorial indicado para este fim.

Na Bahia, o dirigente do partido é Antônio Eduardo Alves de Oliveira, também candidato a governador. Feirense de 36 anos, Eduardo é professor de ensino superior e mestre em Ciências Sociais pela UFBA. O orçamento de sua campanha em 2006 foi declarada no valor de R$ 30 mil. Dividido em diretórios por todo o Estado, o PCO tem seu Comitê Central Estadual (CCE) na Av. Joana Angélica, em frente ao Convento da Lapa.

O PCO nas eleições de 2006

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o pedido de registro da candidatura de Ruy Costa Pimenta à Presidência da República, em agosto/06, sob o argumento de que o Partido da Causa Operária (PCO) não apresentou a prestação de contas relativa à eleição de 2002 em tempo hábil, ano em que também disputou o pleito.

O candidato Pimenta, porém, não aceitando a decisão, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa, segundo o site da Agência Estadão, transmitindo a Agência do TSE, é de confirmação do primeiro veredicto.

O artigo 29 da lei eleitoral (Nº 9.504, de 30 de setembro de 1997) impõe o encaminhamento da prestação de contas à Justiça Eleitoral até 30 dias depois da realização das eleições. No caso de Rui Pimenta, a apresentação foi feita no dia 12 de agosto de 2006, ou seja, fora do prazo legal. Da decisão indeferida pelo ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, caberia recurso de agravo de instrumento direto ao STF. O Agravo Regimental interposto por Pimenta foi desprovido, por unanimidade, pelos ministros da 1ª Turma do STF.

O jornalista Paulo Zulino, do Estadão online, explica que os advogado de defesa do candidato do PCO sustentaram que a decisão do Ministro não poderia ter incidência retroativa, a ponto de transformá-la numa punição pelo atraso. Os casos de inelegibilidade deveriam ser regulamentados por lei complementar. Alegaram também, que uma resolução ou uma lei ordinária não poderia impedir o exercício dos direitos políticos.

Apesar da impugnação, por decisão do Tribunal Superior o candidato não foi impedido de concorrer ao pleito. Segundo a Agência Brasil – Radiobrás, Pimenta utilizou uma decisão judicial para concorrer, até que o STF avalie seu caso. Enquanto isso, a votação do Partido da Causa Operária será considerada válida.

Em análise da candidatura
, analistas do PCO escreveram no artigo Não conseguem engolir, não conseguem cuspir, que a contestação não aconteceu por motivos legais, mas por razões puramente políticas, porque podia comprometer a eleição de Lula no primeiro turno.

“A decisão do TSE desfere mais um ataque ao partido, o único verdadeiro partido de esquerda, operário e socialista, a concorrer nessas eleições, com um programa voltado exclusivamente para a defesa dos interesses dos trabalhadores, sob o lema ‘salário, trabalho e terra’”, observam.

Há também uma crítica a grande imprensa que, segundo o site, promoveu boicote para ocultar a candidatura, principalmente as emissoras de televisão que não convidaram para entrevistas e participação nos debates. Além disso, alegam que com a decisão do Tribunal empresas de comunicação divulgaram “maliciosamente que o PCO não estava mais concorrendo”, o que confundiu o eleitor, afirmam.

Vários foram os acontecimentos que envolveram o Partido da Causa Operária e o TSE durante a campanha do primeiro turno. Por decisão unânime o Tribunal proibiu o PCO, em set/06, de veicular ofensas à Justiça Eleitoral ou “de forma incompatível com a legislação no horário destinado à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV”. O procurador Marcelo Ribeiro argumentou que "em vez de fazer propaganda eleitoral, o PCO usa o seu tempo para criticar a decisão da Corte”.

A coisa não para por aí, O TRE de São Paulo informou que a transferência de contas do fundo partidário à direção, foi suspensa naquela região. O motivo do castigo vem em conseqüência da primeira infração, notícia repassada por Zulino, de acordo com a assessoria do tribunal paulista.

O PCO fez uma projeção sobre o significado de seus votos para a definição de um possível segundo turno, o que foi confirmado pelo colunista Fernando Rodrigues, na Folha Online, em 27 de setembro/06 – Opinião: O risco do empate técnico. Trata-se da diferença que 0,5% dos votos do partido faria no cômputo geral do primeiro turno.


Partido da Causa Operária nas eleições da Bahia

Os candidatos ao pleito, apresentados no quadro abaixo, também sofreram as mesmas sansões aplicadas nacionalmente. No caso particular do estado, de acordo com a Assessoria de Comunicação do TER-BA, os políticos não conseguiram se inscrever porque não havia registro do partido no Tribunal. Seus concorrentes, portanto, também não tiveram conhecimento da quantidade de votos recebidos na Bahia.

Em relação à impugnação do partido, o militante Araújo também tem um posicionamento: “ o PCO tem um grande problema que é o mesmo que os companheiros do PSOL enfrentam, recém-nascidos e já abortados, pois não superaram a chamada cláusula de barreira: regra de 5% do Congresso Nacional eleito em no mínimo 5% da votação, em nove estados da Federação, para um Partido poder continuar a existir. E o problema é simples, os companheiros do PCO quando aparecem só aparecem nas eleições, com candidatos pouco expressivos e que alcance realmente o eleitor”.







Em relação ao processo eleitoral, o presidente do partido na Bahia, Antonio Eduardo avalia que a eleição não representa a situação política concretamente, são como um espelho distorcido. "Consideramos que a derrota de Paulo Souto é a expressão da falência do carlismo, na Bahia, que assim como a derrota de Sarney no Maranhão , expressa o colapso da direita e das oligarquias".

O político e professor acrescenta ainda que por outro lado, a vitória de Lula, significa que os grandes grupos capitalistas que financiaram a frente popular, procuram fazer reformas contra os trabalhadores.


No 2º turno

Após a etapa inicial das eleições, a janela de notícias do PCO anuncia que depois da impugnação arbitrária e a censura do programa de protesto a tal atitude, o TSE não revelou os votos recebidos. Chegou-se a divulgar que a votação teria sido anulada e até mesmo que a causa operária não teria recebido nenhuma votação, conforme o site oficial.

A Folha UOL retransmite texto que mostra o legado que o PCO acredita ter deixado para a política nessas eleições. Trata-se das reações do slogan: “Quem bate cartão não vota em patrão”.

Apesar de não haver divulgação oficial dos votos do Partido da Causa Operária (PCO), conforme a Agência do TSE, Estatísticas revelam partidos com maior votação nacional para cargos disputados nessas eleições (http://agencia.tse.gov.br/), em 11 de outubro/06, sabe-se que o PCO é uma das legendas que obteve o menor número de votos para deputado federal. Assim como o PRP, PSTU, PCB, PRTB, PSDC, PTN e PSL, o PCO não terá representantes na próxima legislatura.

O PCO esse ano cumpriu o prazo e já apresentou a prestação de contas relativa à eleição 2006. Veja o destaque que o TSE deu ao partido.

Perfil de RUI COSTA PIMENTA (PCO), candidato a presidente da República pelo PCO.

Wednesday, November 08, 2006

Eleições atuam no palco eletrônico

Neuma Dantas

Centrar a análise em programas de governo, observar os feitos, a trajetória política ou discutir propostas dos candidatos deixaram de ser focos da imprensa em processos eleitorais.
A ânsia por visibilidade midiática, possivelmente, seja uma razão considerável que explique, porque profissionais da comunicação, a população e os próprios atores políticos desviem sua atenção para a mídia nesses períodos. Os escândalos financeiros e jornalísticos rechearam, exaustivamente, a campanha e o palco eletrônico em 2006. Afinal, o show tem que continuar.
A expedição rumo ao pleito começou morna com os candidatos ao Palácio do Planalto, Cristovam Buarque, Geraldo Alckmin e Heloisa Helena, atacando o presidente que disputa a reeleição. As denúncias de corrupção e a bandeira da ética, foram o mote principal dos oponentes. Entretanto, apesar das críticas e denúncias, em processo de apuração, as pesquisas insistiam em favorecer o presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Na reta final da primeira campanha, um polêmico conjunto de documentos que comprovavam ligações do candidato ao governo de São Paulo, o ex-prefeito José Serra, com o “esquema dos sanguessugas”, nome dado a prática da compra de ambulâncias super faturadas, transformou-se no motivo que afastou o candidato, com maior percentual de intenções de votos, da vitória no 1º turno.
Colaboradores do Partido dos Trabalhadores foram presos no Hotel Íbis, na capital paulista, com R$1,75 milhões, supostamente destinados ao pagamento do “dossiê anti-Serra”. A dois dias das eleições, fotografias da montanha de dinheiro foram mostradas pelo noticiário da noite, seguidas de manchetes dos principais jornais da manhã seguinte, resultados de uma engenhosa operação promovida pelo delegado Edmilson Bruno e a rede Globo de Televisão.
O fato, junto à ausência do presidente Lula no último debate, responderam as interrogações que provocaram o 2º turno eleitoral, segundo comentaristas. Fruto de uma atitude anti-ética, tanto do componente da Polícia Federal, quanto dos meios de comunicação, a veiculação das fotos coroou um espetáculo de mágica, cujos truques foram denunciados mais tardepela revista Carta Capital.
Professor de Comunicação e Política da Ufba, Wilson Gomes defende que a política midiática é uma política em cena ou para a cena. No outro lado, desdobram-se as manobras fora de cena, todas ligadas aos interesses econômicos, da comunicação e da própria política.
O show das CPI’s, as performances de Roberto Jerffesson e outros políticos direitistas, a maioria com telhado de vidro, as fotos dos milhões ou os debates com feição de arena eletrônica, configuraram espetáculos produzidos para os espectadores ou para os interesses em cena; a entrega do CD com as fotos, a omissão da fita gravada pelo delator ou as cartas fora da manga são exemplos de negócios escusos, celebrados fora da exposição pública, por isso, interesses fora de cena.

Radiografia do Brasil

Outras questões relevantes voltaram à ribalta nas eleições de 2006. O país, que muitos tentam desconhecer ou abafar, explodiu de forma gritante pelos diskets das urnas. Os assistidos/oprimidos pelos currais do coronelismo tiveram voz, os abafados pela espiral do silêncio falaram e os elitistas explicaram a votação maciça do Norte/Nordeste com a tinta do atraso e da ignorância.
Em reportagem especial, Os Brasis ocultos da eleição, do jornal O Estado de São Paulo, de 08 de outubro, o sociólogo e doutor em Geografia Humana, Demétrio Magnoli, analisa o resultado das urnas no 1º turno valendo-se das teorias de Jacques Lambert, no livro Os dois Brasis. O professor diz que “a onda azul” de Alckmin corresponde ao Brasil moderno de Lambert; “a onda vermelha” de Lula é o outro Brasil do pensamento dualista.
Por dualismo lê-se o moderno e o arcaico, o legal e o real, o rico e o pobre. Numa análise mais preconceituosa que real, o sociólogo diz que as exceções mostram que “o Brasil ganhou novas fronteiras eleitorais”. Sim, principalmente na segunda parte da campanha, quando Lula arrebanha votos tucanos classe média, no Sul/Sudeste, consagrando-se com 61% da preferência dos eleitos.
A luta continua...

A guerra midiática continuou na temporada do 2º turno, o universo comunicacional seguiu controlando a visibilidade pública. Para o Prof.Gomes estar em exposição nos meios de comunicação é fundamental para angariar votos. Não é à toa que as despesas de produção midiática, das campanhas dos candidatos Alckmin e Lula, giraram em torno de 70% do orçamento. O conteúdo dos programas de governo importa menos que a aparência dos candidatos em todas as suas frentes.
A conclusão não é arbitrária, trata-se de constatações alcançadas pelas pesquisas dos especialistas na área. Além disso, a própria experiência mostra que características específicas do campo político vêm se alterando. Contatos corpo a corpo, questionamentos diretos sobre as intenções de governo e esvaziamento de idéias são exemplos das mudanças que deslocam o teor importante das campanhas para o terreno interessante que leva ao “espetacular e escandaloso”.
Em entrevistas, carreatas, debates, caminhadas, comícios, propaganda gratuita no rádio e na TV, os partidos em disputa lutaram em meio a declarações polêmicas, troca de agressões e, sobretudo defesa de suas teses. O PSDB impunha a bandeira da ética, como se puros fossem; o PT estabelecia comparações com os governos de FHC, tentando superar as ocorrências escandalosas.
Escândalos políticos são propensos a acontecer nas democracias liberais. Um fator facilitador para essas ocorrências, de acordo com John Thompson, é a “relativa autonomia da imprensa”. Diz ele que, em estados democráticos, os meios de comunicação são capazes de divulgar ações que podem conduzir a escândalos, “e alguns setores da imprensa estão particularmente bem equipados para articular publicamente um discurso sobre escândalo”. A semelhança com a denúncia da revista dirigida por Mino Carta sobre “a trama que levou ao segundo turno”, não é mera coincidência.
Não vamos dizer que a comunicação reduz a política no mundo contemporâneo, até porque ela abre caminhos e mostra a arena do cerrado aos grotões brasileiros. Os escândalos fazem parte do jogo e acabam contribuindo para o desmascaramento das relações ocultas que, muitas vezes lesam o patrimônio público e, conseqüentemente, aperfeiçoam a democracia.

Quanto ao show, esse sim, pode afastar a missão que a política deve exercer junto ao povo para a formação da cidadania, através da consciência do voto em todos os tempos. A não ser, merece observação, quando o show configura-se mesmo um espetáculo. É o que aconteceu em 2006, o candidato presidente resistiu às forças visíveis e invisíveis e tornou-se, flagorosamente, o vencedor.

Sunday, November 05, 2006

Por um jornalismo político de OPINIÃO


Bruna Bianca

O segundo turno eleitoral, foi o que realmente pode se chamar de batalha política.O Interessante é que não foisó entre os presidentes, mas contou também com a mobilização da população, que resolveu defender o seu candidato através de manifestos pela internet, conversas entre amigos, bandeiras, adesivos, entre outros.


Os debates já não empolgavam tanto, a maioria ja tinha sua escolha bem definida e apenas assistia os debates para jogar conversa fora e até mesmo criticar o bate boca dos candidatos. Até mesmo a imprensa entrou no "embalo" como, por exemplo, a Globo e a Carta Capital que discutiam sobre a polêmica do dossiê.


Aliás a novidade dessa eleição foi mesmo a atuação da imprensa.A minha opinião é que as mangas começaram a ficar literalmente de fora. A era do tão sonhado "jornalismo imparcial", começou a ficar cada vez mais distante.A nova tendência dos bloggers somada a vontade das pessoas em se informarem através da leitura de colunas ficou cada vez mais evidente. Ninguém quer mais saber apenas o que aconteceu, querem agora contextualização e opinião.

E é mesmo esse caminho que o jornalismo político deveria trilhar. Política deveria ser encarada como time de futebol, cada um torcendo para que o seu ganhe e ponto final. Para que a máscara da imparcialidade? A revista Veja sustenta esse mito, mas ainda assim escancara na capa da revista manchetes como:"Brasilha da fantasia: O PT infiltra a máquina adminstrativa do Estado com seus militantes e cai na velha ilusão de que ao perseguir seus objetivos partidário, está servindo o país(10/09/03)", "Como sair dessa?Com seu governo paralisado, Lula cai nas pesquisas e ainda tem que carregar o peso morto do ex-homem forte do planalto(31/03/04)", " A tentação autoritária: As investidas do governo do PT para vigiar e controlar a imprensa, a televisão e a cultura(18/08/04)" " O PT deixou o Brasil mais burro?(26/01/05)"," Lulla: Sem ação diante do escândalo que devorou seu partido e paralisou seu governo, Lula está em uma situação que já lembra a agonia da era Collor(10/08/05)", entre outros.



Jornalismo de opinão

Trata-se de uma falta de compromisso com a ética profissional do jornalista e com os próprios leitores. O jornalismo de opinião deveria surgir nesses casos como uma nova tendência menos hipócrita e mais verdadeira, uma alternativa aos jornalistas, diretores de empresas de comunicação, rádio e televisão que não conseguem se conter em seus textos tendênciosos, imprimindo sua prória personalidade.

Não adianta, por mais que se discuta ética e imparcialidade, todo profissional de imprensa tem seus ideais e consequetemente idéias formadas sobre o cenário político do país. É ilusão achar que um texto jornalistico, seja de qual gênero for, é insento de qualquer impressão. Pode não acontecer de forma direta, mas o discursso se constrói por meio de um raciocínio e todos sabem disso. Para que esconder?

Até os leitores mais leigos no assunto, já estão cansados dessa história. Prova disso foram os resultados das eleições que apontaram a vitória do presidente Lula mesmo com toda a imprensa conservadora contra a sua reeleição. As pessoas sabem, mesmo sem intermédio da imprensa, sobre as coisas boas que têm sido feitas no governo, sem que para isso se precise até mesmo de grandes leituras.

O SBT bombardeou o governo diariamente, assim como a Globo. A história do dossiê caiu como uma luva às intenções dos grandes veículos de comunicação. Em determinados momentos ninguém sabia mais do que se tratava a tal confusão. Ouvia-se apenas dizer que essa era mais uma história do PT, a real origem do problema foi esquecida. O que continha no dossiê? A confusão envolvia o PSDB, mas ficou em segundo plano.

No geral as coberturas da eleição foram uma vergonha, briga entre colunistas de jornais, blogueiros, e até revistas de grande porte não serviram para nada, apenas para mostrar a desarticulação e desunião entre colegas de profissão, e competitividade entre os grandes órgãos, não houve respeito, propostas de reflexão ou questionamentos, e sim uma verdadeira disputa por audiência. Está na hora de assumir e rever os próprios conceitos do jornalismo político que encontra-se completamente desvirtuado.

Wednesday, November 01, 2006

O Ataque do espiral

Bruna Bianca

A imprensa conservadora não vai descançar mesmo depois das eleições.O rebuliço continua, agora mais ainda por conta da intimação que receberam os jornalistas da revista veja a prestar depoimento pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais no caso do dossiê. Esse foi o estopim que precisavam para explodir uma guerra,agora de fato assumida e com um "motivo", contra o governo.Daqui a pouco vão dizer que os petistas também estão envolvidos com esse último fato, parece piada.

O fato, é que mesmo com a oposição dos mais fortes veículos de comunicação, a coisa não funcionou, só gerou balburdia, até os meios de comunicação se comportaram super mal. A briga da carta capital com a Globo sobre a omissão de fatos foi deselegante e no final o eleitor ficou se perguntando, a troco de que?

É verdade que a imprensa brasileira tem o poder de gerar crises e que a Globo tem o poder de interferir no processo eleitoral. Mais ainda sim acho que fez bem o nosso presidente em não comparecer em alguns debates.Ir lá bater boca?Gastar tempo? Mesmo sem aparecer lá Lula venceu, mesmo sem precisar da Globo o presidente foi reeleito, ponto.Mesmo sem a veja!E com ataqques diários.Isso irritou muita gente, isso enfureceu a oposição. Mas foi só isso que aconteceu,vale destacar, pois o povo estava de fato prestando atenção nas boas coisas que estavam sendo feitas apesar de todo alarde.


Mas agora o touro vai ter que amansar, dos 27 governadores eleitos, 16 apóiam Lula.Foram 58 milhões de votos. Nada menos que a população da Itália! O palco da imprensa ainda é importante mas temos que rever isto ai. O presidente devia ensinar algo tipo "como governar quando toda imprensa é contra".Será que ele ainda sai fortalecido? Ainda acredito que tudo isso foi obra do espiral do silêncio.

Lula novamente na presidência. Surpresa? Não e não

Neuma Dantas


A semelhança não é mera coincidência. Euclides da Cunha disse "O nordestino é antes de tudo um forte", ele escreveu porque viu como as adversidades de uma terra árida fortificam uma vida, uma personalidade, um coração. Não falo de romantismo, falo de resistência. O presidente candidato resistiu a toda sorte de ataques. Justos e injustos. E venceu.
Lula volta a presidir o país por mais quatro anos. O resultado significa a escolha de dois terços do Brasil real. Aos eleitores do candidato vitorioso importam por um lado a melhoria de vida, por outro a satisfação com a política econômica. Não ouviram o o uivar dos cães, a caravana passou e entregou novamente a faixa a Luis Inácio Lula da Silva.

Em comentário intitulado A esperança ainda está viva, na revista CARTA CAPITAL, Mino Carta detalha duas observações a respeito da reeleição. Uma delas sobre a atuação da mídia no processo eleitoral 2006. Para ele a reeleição também significa o fracasso do jornalismo movido a ódio de classe. Isso porque, além da oposição raivosa, a maioria das grandes empresas de comunicação e seus vassalos profissionais combateram o candidato do PT como se estivessem num tribunal inquisidor. Jornalismo desigual e anti-ético foi praticado largamente.

Colunista da revista VEJA, Reinaldo Azevedo, trata as críticas à imprensa feitas pelo PT e o slogan “deixa o homem trabalhar” como uma réplica de posturas ditatoriais que impediam a liberdade de expressão ou falavam em nome do amor à Pátria. Segundo o jornalista, Lula é produto da imprensa livre desde que esquerdista e petista, e acrescenta que o presidente não suporta a independência da imprensa. Mas de que independência o colunista fala? Parece que ele quer negar as amarras da mídia ao poder econômico, político e aos proprietários das portentosas redes de comunicação em terras tupiniquins.

A imprensa tem sido largamente pautada no período pós-eleitoral. As relações entre mídia e governo estão sendo apreciadas pela voz do próprio presidente e do deputado federal mais votado, por exemplo. Ciro Gomes defende a democratização da mídia e necessidade de fortalecer os meios de comunicação alternativos e as cooperativas de jornalistas. Queiram ou não o debate sobre o Conselho Federal de Jornalismo precisa voltar. Assim como outras classes, a missão social de informar não pode vigorar sem normatização.

Surge a era do desespero para certos veículos

Por Vauline Gonçalves

A imprensa brasileira se divide por conta do resultado eleitoral. As defesas e acusações obedecem as mais variadas formas. Há jornalistas que vibram com a vitória da vontade popular e há jornalistas que, amargurados com a derrota da sua própria vontade, ocupam-se em agredir o governo e bater na mesma tecla que, comprovadamente, não deu certo.

Reinaldo Azevedo, jornalista da Revista Veja, postou em seu blog um comentário ferrenho acerca da escolha popular para a presidência, mais precisamente sobre a personalidade de Lula (ou falta desta). Julgando assim que o povo não soube escolher seu governante. Em suas palavras surgem coisas como: “Veio a plena democratização, e ele (Lula) continuou na oposição, sabotando todos os governos”. Pergunto em que mundo o sr. Reinaldo vive, que goza de ‘plena democratização’? E mais: “Ele (Lula) é produto da imprensa livre desde que esquerdista e petista. O que ele não suporta nela hoje em dia? Justamente a independência — ao menos de uma parte, é claro”. Que parte livre da imprensa seria essa, a Veja?

Outro colega de profissão (o jornalismo oprimido pelo governo atual) desfruta de uma opinião divergente da opinião de Reinaldo. Mino Carta, da Revista Carta Capital, mesmo sendo um profissional podado pela falta de liberdade de imprensa, colocada pelo governo Lula, escreve no seu blog toda a vitória da vontade popular. “Não adianta, senhores da elite e da mídia: o povo brasileiro está a ganhar confiança em si mesmo e não se deixa levar na conversa. Este é o primeiro mérito do ex-metalúrgico, e não é por acaso que as oligarquias caem na Bahia, no Maranhão, no Ceará”.

É incrível que, em um país como o Brasil, onde existem tantos veículos de comunicação poderosos, a mídia, apesar de toda a ‘censura’ presidencial, conseguiu ecoar tantas denúncias e acusações. A grande verdade disso tudo é que não há esta suposta abolição da liberdade de imprensa. O que de fato acontece é que os leitores e telespectadores conquistaram a liberdade de pensar e agir de acordo com o seu próprio julgamento, dispensando a tão disponível assessoria da imprensa. Isto, é claro, apavora aqueles que construíram e sustentam seus impérios sobre mentiras e histórias mirabolantes. Começa agora a era do desespero para certos veículos e profissionais.

Tuesday, October 31, 2006

Cardeal da Silva é dividida pelo comércio

Por Vauline Gonçalves
O comércio de delicatessens na Avenida Cardeal da Silva é disputado e clientela não pensa duas vezes no quisito pesquisa de preço.

A Federação, bairro considerado nobre, abriga hoje três universidades e inúmeros comércios. Nasceu como um bairro de residência para estudantes do interior e hoje apresenta um comércio variado, em especial no Engenho Velho da Federação, mas é na sua avenida principal, a Cardeal da Silva, que um estigma divide o comércio e os consumidores.

Segundo moradores da avenida, esta apresenta dois focos de comércio: um bem próximo a Universidade Salvador (UNIFACS) e outra próxima a entrada do parque São Brás, bem no início da Cardeal (para quem vem do Campo Grande). Juliana Oliveira, professora e moradora do bairro há 11 anos, diz que é muito difícil um comércio se fixar na parte que denominaremos de A1 (início da Cardeal). “Tudo que abre por aqui, dura no máximo um ano. É uma pena porque quando as lojas fecham temos que andar um bom pedaço para fazer compras”. Juliana completa dizendo que já passaram pelo trecho cerca de 5 padarias, uma vídeo locadora, uma lanhouse e três salões de beleza. Nenhum deles vingou.

Conveniências

O comerciante Valnei dos Santos Moreira, proprietário do Cardeal Alimentos, há nove anos mantém o seu mercado na A2 (área próxima a Unifacs), mas também já foi dono de uma loja de conveniência na A1. “O Armazem Conveniência durou um ano e fechou porque a dispeza era muita e o movimento era pouco. Os moradores do local residem por temporadas e não caracterizava um cliente fixo”. Em toda a Cardeal existe apenas um edifícil com aluguéis por temporada.

Valnei comemora o sucesso do seu estabelecimento na A2 e diz que os únicos meses que as vendas diminuem são de Dezembro e Janeiro e nos meses de Junho e Julho, devido às festas e viagens dos moradores. “São meses em que as pessoas viajam e gastam com as festas. As férias das faculdades também influenciam nas vendas”, diz o comerciante. Os produtos mais vendidos no mercado são coca-cola e pão, e sua média de lucros fica em torno de 60%.

Quanto ao fechamento do seu estabelecimento na A1, Valnei acredita que não tenha havido fatores decisivos para tal, a não ser as dificuldades normais que qualquer estabelecimento pode enfrentar. “Os demais comércios, que costumam fechar na outra parte da Cardeal, ‘quebram’ devido ao mau atendimento. Os antigos clientes do Armazem costumam vir comprar aqui no Cardeal Alimentos”, conclui Valnei.

Do outro lado da avenida...

A recém reinaugurada delicatessen Panetete, na A1, tem como novo proprietário Nelson de Oliveira. Ele já teve outros tipos de comércio e sabe que o público, o atendimento e o preço regem o negócio. “O público aqui é bom e seleto. Até o momento estamos satisfeitos e não tivemos prejuízos. Tudo dentro do planejado”, diz o novo dono da Panetete.

Com um “cast” de mais de 2 mil ítens, a delicatessen da A1 tem como produtos mais vendidos a coca-cola e o pão, e apresenta uma renda mensal de cerca de 17%. Ainda segundo o atual proprietário, o antigo dono não diversificava seus serviços, pecado que Nelson não pretende repetir. “Temos planos de agragar à Panetete uma papelaria, galeteria e outros serviços. Nós estamos aqui para a acabar com esta síndrome de comércio instável”, conclui otimista.

Adalcina Figueiredo, moradora do edifício Liliana (A2), faz suas compras em supermercados e só compra no mercadinho Cardeal Alimentos quando faltam algumas coisas, porque este fica mais perto. “Compro pão todos os dias. O pão no mercado Cardeal é mais caro, mas é de qualidade. Acredito que o preço seja o motivo da evasão dos clientes nos comércios próximos ao viaduto da Federação. Lá os preços são altos”. diz a moradora.

Já na A1, Aline Silva, moradora há 25 anos na Cardeal, acredita que o valor das mercadorias na parte onde mora sejam um tanto elevados. “Apesar da simpatia de todos os donos que esta delicatessen já teve, os preços realmente são mais altos. Por isso as pessoas, em alguns casos, preferem andar mais um pouquinho e comprar mais barato”. Conclui Aline, mostrando que apesar do bairro ser nobre, os moradores também querem economia.

Sunday, October 29, 2006

Imprensa: É preciso rever seus conceitos

Por Vauline Gonçalves
Dentro do mundo jornalístico muito se prega a teoria e a prática da imparcialidade, embora todos que vivem e gostam do universo da notícia saibam que isto é um mito. É muita ingenuidade esperar que um meio de comunicação seja totalmente imparcial em determinada situação. Isso nunca aconteceu e é compreenssível que não ocorra de forma tão veemente.
O que muito me choca não é a pendencia de um ou outro veículo para determinado lado da notícia, mas a capacidade destes veículos de subestimar a inteligência de seu público e agir como se os leitores fossem verdadeiros e completos idiotas, prontos para assinar embaixo do que lê.
Até já cheguei a pensar que se tinha razão. Cheguei a acreditar na cegueira brasileira e no amém dito como quem diz “boa noite” ao jornal nacional: de forma automática. Felizmente o resultado eleitoral para presidência mostrou a triste e amarga verdade, lançada aos rostos perplexos da imprensa. É camarada... O povo já não é o mesmo.
Adoramos suas novelas, suas páginas coloridas, engolimos suas reportagens vazias e subliminares, mas temos cérebro. Não somos mais tão manipuláveis e idiotizados. Evoluímos! Ainda torcemos pela mocinha das oito e compramos o seu jornal todos os domingos, mas já sabemos dizer não ao que você prega como verdade. Cuidado!
Enquanto a maior parte da imprensa marcha em um único sentido, utilizando de todo o seu poder (que não é pouco) e de instrumentos sérios como a notícia e a relação de confiabilidade leitor/veículo para implantar “crendices”, o povo mostra nas urnas que sabe pensar e que tem vontade própria.
O caso mais grave

O caso que considero mais grave encontra-se aqui na Bahia. O tapa foi tão grande que, de uma só vez, o povo disse não a duas fortes potências: a imprensa e ao domínio ACM. E ainda de forma incisiva. “É nisso que dá construir mais universidades para esse povo”, diria um certo coronel.
Entendemos que o Corrieo da Bahia utilize suas páginas para deturpar manchetes e notícias, só não compreendo o porquê da denominação “jornal” a frente do nome. Era totalmente previsível que manchetes como: “Lula ‘privatiza’ Amazônia” (27.10.06) quando o lead apresenta: "No horário eleitoral gratuito na televisão, o candidato da coligação PSDB-PFL, o tucano Geraldo Alckmin, apresentou seus programas sociais, citou medidas para as regiões Norte e Nordeste e acusou Lula de ter 'privatizado a Amazônia'". E tantas outras manchetes seguem assim, colocando como afirmativa uma acusação do candidato. O que poderíamos esperar do Correio se não isso?
A Tribuna parece ter aprovado o “estilo jornalístico” de adaptação de notícias do Correio, porque passou a distorcer as informações como se a Bahia fosse um mundo à prte e isolado. Como se dependessemos dos gatekeepers dos impressos baianos para nos informarmos. O diário em questão deve ter razões fortíssimas para fazê-lo. Quem sou eu para condenar?
Por fim, temos o A Tarde, que se mostrou o menos parcial de todos. Em suas manchetes podemos verificar as notícias com o foco no local certo, de acordo com o fato. Não podemos isentá-lo de parcialidade porque ficou clara a posição política do mesmo. Contudo, não pude sentir qualquer tentativa de persuassão ou de violência à inteligência do leitor.
Acredito que a imprensa baiana tenha levado uma boa lição, mas também não creio na revisão dos erros. Ainda há muito o que caminhar até que os poderes desta terra percebam que já não somos os mesmos. Hoje temos acesso a outros veículos sem qualquer dificuldade. Hoje discutimos os problemas tanto com o colega do trabalho quanto com o taxista ou o porteiro do prédio. A informação corre e, surpreeendemente, com mais eficiência pelo “telefone sem fio” do cotidiano, do que pelas páginas dos jornais.
Os tempos são outros caros editores e donos de jornais. Vocês precisam se informar melhor e se preparar para, apartir de então, fazer matérias direcionadas a pessoas, cidadãos e seres pensantes. A era da alienação está chegando ao fim, e o mais interessante: A imprensa nacional também precisa fazer uma análise e redirecionar seus holofotes: o norte-nordeste acaba de mostrar sua existência e sua força. Cuidado!