Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Sunday, October 29, 2006

Imprensa: É preciso rever seus conceitos

Por Vauline Gonçalves
Dentro do mundo jornalístico muito se prega a teoria e a prática da imparcialidade, embora todos que vivem e gostam do universo da notícia saibam que isto é um mito. É muita ingenuidade esperar que um meio de comunicação seja totalmente imparcial em determinada situação. Isso nunca aconteceu e é compreenssível que não ocorra de forma tão veemente.
O que muito me choca não é a pendencia de um ou outro veículo para determinado lado da notícia, mas a capacidade destes veículos de subestimar a inteligência de seu público e agir como se os leitores fossem verdadeiros e completos idiotas, prontos para assinar embaixo do que lê.
Até já cheguei a pensar que se tinha razão. Cheguei a acreditar na cegueira brasileira e no amém dito como quem diz “boa noite” ao jornal nacional: de forma automática. Felizmente o resultado eleitoral para presidência mostrou a triste e amarga verdade, lançada aos rostos perplexos da imprensa. É camarada... O povo já não é o mesmo.
Adoramos suas novelas, suas páginas coloridas, engolimos suas reportagens vazias e subliminares, mas temos cérebro. Não somos mais tão manipuláveis e idiotizados. Evoluímos! Ainda torcemos pela mocinha das oito e compramos o seu jornal todos os domingos, mas já sabemos dizer não ao que você prega como verdade. Cuidado!
Enquanto a maior parte da imprensa marcha em um único sentido, utilizando de todo o seu poder (que não é pouco) e de instrumentos sérios como a notícia e a relação de confiabilidade leitor/veículo para implantar “crendices”, o povo mostra nas urnas que sabe pensar e que tem vontade própria.
O caso mais grave

O caso que considero mais grave encontra-se aqui na Bahia. O tapa foi tão grande que, de uma só vez, o povo disse não a duas fortes potências: a imprensa e ao domínio ACM. E ainda de forma incisiva. “É nisso que dá construir mais universidades para esse povo”, diria um certo coronel.
Entendemos que o Corrieo da Bahia utilize suas páginas para deturpar manchetes e notícias, só não compreendo o porquê da denominação “jornal” a frente do nome. Era totalmente previsível que manchetes como: “Lula ‘privatiza’ Amazônia” (27.10.06) quando o lead apresenta: "No horário eleitoral gratuito na televisão, o candidato da coligação PSDB-PFL, o tucano Geraldo Alckmin, apresentou seus programas sociais, citou medidas para as regiões Norte e Nordeste e acusou Lula de ter 'privatizado a Amazônia'". E tantas outras manchetes seguem assim, colocando como afirmativa uma acusação do candidato. O que poderíamos esperar do Correio se não isso?
A Tribuna parece ter aprovado o “estilo jornalístico” de adaptação de notícias do Correio, porque passou a distorcer as informações como se a Bahia fosse um mundo à prte e isolado. Como se dependessemos dos gatekeepers dos impressos baianos para nos informarmos. O diário em questão deve ter razões fortíssimas para fazê-lo. Quem sou eu para condenar?
Por fim, temos o A Tarde, que se mostrou o menos parcial de todos. Em suas manchetes podemos verificar as notícias com o foco no local certo, de acordo com o fato. Não podemos isentá-lo de parcialidade porque ficou clara a posição política do mesmo. Contudo, não pude sentir qualquer tentativa de persuassão ou de violência à inteligência do leitor.
Acredito que a imprensa baiana tenha levado uma boa lição, mas também não creio na revisão dos erros. Ainda há muito o que caminhar até que os poderes desta terra percebam que já não somos os mesmos. Hoje temos acesso a outros veículos sem qualquer dificuldade. Hoje discutimos os problemas tanto com o colega do trabalho quanto com o taxista ou o porteiro do prédio. A informação corre e, surpreeendemente, com mais eficiência pelo “telefone sem fio” do cotidiano, do que pelas páginas dos jornais.
Os tempos são outros caros editores e donos de jornais. Vocês precisam se informar melhor e se preparar para, apartir de então, fazer matérias direcionadas a pessoas, cidadãos e seres pensantes. A era da alienação está chegando ao fim, e o mais interessante: A imprensa nacional também precisa fazer uma análise e redirecionar seus holofotes: o norte-nordeste acaba de mostrar sua existência e sua força. Cuidado!

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