Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Monday, October 23, 2006

A mídia precisa unir brasileiros e árabes

Neuma Dantas



O correspondente no Brasil, da revista Sayidaty Magazine, de Dubai, capital dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed Daoud, baseou sua explanação na crítica ao país pela falta de comunicação com o Oriente Médio. O fato do universo árabe e o Brasil não se conhecerem, pode ser creditado à mídia, ao afastar-se de sua responsabilidade de uni-los. A falta de atitude dos brasileiros em não se "venderem" ao mundo é outra observação feita por Daoud.
O jornalista questionar o que sabemos dos árabes. Que são extremistas ou terroristas. "O que eles sabem do Brasil? Futebol, carnaval e o turismo sexual, e não é isso", afirma convicto Daoud, que aprende a falar português em São Paulo, e considera injustiça com o próprio país, não se mostrar ou deixar-se mostrar negativamente.

A ausência de profissionais brasileiros nos 22 países da região leva-o a assegurar que as análises das matérias são frágeis, porque privilegiam o lado israelense, onde há correspondente brasileiro, e refletem o ponto de vista das agências internacionais. “A política da Globo não mostra equilíbrio nas coberturas”, acrescentou, ao explicar que a ausência do lugar descaracteriza a verdade. Para ele não se pode descrever de forma abstrata, de longe, sem entrevistar fontes exclusivas, para dar apoio aos textos, afinal, “o papel do jornalismo é educar corretamente”, ensina.

Daoud, que já trabalhou em Londres e cobriu conflitos nos países nucleares como Paquistão, Índia e região da Cashemira, interroga: Se o Oriente Médio interessa ao mundo, por que não ao Brasil? Deveria haver jornalistas pelo menos nas áreas mais conflitadas ou as emissoras brasileiras convidarem especialistas para explicar as situações sob o ponto de vista árabe. Este é sua perspectiva do assunto. De acordo com o palestrante, nos últimos 10 anos, muitos países árabes tornaram-se mais seguros que Israel, onde há bombas por todo lugar. "E é nesse lugar que a Globo mantém um correspondente", ressalta.

Censura a falta de interesse do país em “vender-se” por meio de uma versão da TV em inglês ou espanhol, também foi feita pelo profissional, que é sírio. Conforme ele, esse procedimento é uma prova da falta de comunicação com o mundo, o qual não conhece o Brasil. Nesse ponto a Venezuela ganha. “Veja, a Al-Jazeera instalou-se em Caracas, não no Brasil, porque eles não conhecem nada daqui”, ironizou.

Na sua opinião os árabes que moram no país também deveriam contribuir para a propagação do Brasil naquelas terras. Segundo sua experiência nos dois lados, Daoud diz que a imagem do país no mundo árabe não é boa. É preciso, através de um planejamento, mudar essa visão, e não só mostrar mulatas, carnaval e futebol. “A impressão que se tem das mulheres é muito ruim”, ressalta, afirmando que já constatou que a verdade é outra e que o Brasil pode se revelar de forma mais respeitosa.

Algumas perguntas:

O que o senhor escreve, como correspondente, na revista Sayidaty?

D – A minha publicação pediu pra vir pra cá. A Europa sabe mais do Brasil com minha revista. Sinto pena, os estrangeiros distorcem a realidade brasileira porque é passada de forma incorreta. O Brasil pode dar lições para outros países, ele não se valoriza, é preciso se respeitar para que os outros o façam também. Não faço críticas, só observações.

Quem consegue ser mais imparcial na cobertura do Oriente Médio?

D – Ninguém é imparcial, todos falam de seus interesses. Mas há um limite. É preciso ter democracia, claro que no mundo árabe não há eleições; em Israel há mais democracia. Os árabes não são flexíveis, eu sei. O sistema é de ditadura.
O correspondente brasileiro no Oriente Médio, Losekan, não é imparcial, ele segue o ponto de vista israelenses, que usa a parcialidade como estratégia do conflito armado, e nessa situação há restrições para a mídia na guerra.
Há 51 anos existe uma luta e por conta das estratégias militares é impossível ter imparcialidade na mídia, principalmente dentro de Israel. De ambos os lados, todos são parciais, mas com barreiras.

Sobre a cobertura do 11 de setembro?

D – A cobertura foi bem conservadora do lado árabe e aberta do lado judeu. A mídia, em sua maioria criticou, condenou do ponto de vista do terrorismo. Não houve cobertura completa no mundo árabe.

É possível estabelecer democracia no mundo árabe?

D – Sim. Como em qualquer lugar. A democracia não é receita, há muitas diferenças dos povos. Árabes e muçulmanos diferem na religião e por meio da força não é possível estabelecer democracia. Os Estados Unidos entraram num tanque de guerra para estabelecer democracia.
É preciso resolver problemas sociais. Se virem de fora, não funciona uma democracia ocidental no mundo árabe. Quer dizer, quando vem uma democracia contra o Islã não é bom, é preciso preparar a sociedade, educar e respeitar a cultura.
Mesmo no Brasil, a democracia não é perfeita.



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