Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Monday, October 23, 2006

Al-Jazeera: a mídia polêmica se expande no mundo

Neuma Dantas


Jornalista paulistana, Giovana Sanchez pesquisou o tema da mídia polêmica, Al-Jazeera, como Trabalho de Conclusão de Curso, em 2004, em Santa Catarina. Para isso, viajou para o Oriente Médio, onde permaneceu por 10 dias, na capital do Qatar, Doha, cidade central e sede da rede, colhendo material para a pesquisa. O relato dessa "missão", caracterísicas da mídia, e as dificuldades que uma jovem repórter vive para executar uma cobertura naquelas paragens, foi o tema da exposição que abriu o Seminário Internacional de Jornalismo, em outubro/2006.

Qatar é um pequeno e rico país do Golfo Pérsico, onde 95% da população segue o islamismo e tem um regime autocrático. É um Emirado, que quer dizer regime cujo chefe ou príncipe, em países muçulmanos, é tido como um descendente de Maomé.
O governo financia toda a educação e no país não há dificuldades para conseguir empregos. Todos são alfabetizados em inglês e na língua materna, o árabe. Há escolas de comunicação no Qatar, porém os jornalistas, em sua maioria, têm formação na Europa e Estados Unidos.


Por que A-Jazeera?

- Mídia árabe pré-Al-Jazeera – Imprensa presa aos ditames do Ministério da Informação.

História: O filho do Emir, Hamad bin Khalifa al Tani, promoveu um golpe político no Qatar, em 1995, tomando o poder do pai. O novo mandatário insere entre outras mudanças, o direito de voto à mulher e a criação de uma rede de comunicação com formato ocidental, espelhada na BBC londrina, financiada pelo Emirado.

O Qatar abre-se para o mundo através da TV por venda de imagens e assinatura, para fugir ao boicote publicitário imposto pela Arábia Saudita. A grande diferença dessa rede de TV é a falta de propaganda, onde praticamente não há anunciantes. Chegou-se a pensar em privatizá-la, mas até então continua sendo sustentada pelo governo do novo Emir, 44 anos.

A rede estatal, pública, via satélite, conforme Giovana, tem ambiente calmo. Pouco é produzido na sede, pois não há repórteres em Doha, ela é a sede que aglutina os textos, sem vincular informações estatais. Há outros canais mais oficiais com notícias do Emirado, além de uma emissora do Hezbollah.

Algumas das características da Al-Jazeera são incomuns ao mundo da comunicação. Os repórteres tem liberdade total, há participação do público, dos redatores e repórteres dissidentes de outros meios. O newsmaking árabe é igual ao ocidental, com reunião de pauta e compra de notícias de agências, a diferença está na perspectiva sobre o mundo árabe. Sua audiência está em torno de 40 milhões de telespectadores.

Sua programação consta de 70 % de notícias, telejornais, talk-shows, programas interativos
e de auditório, como: Sem fronteiras, programa de entrevistas; Super Secreto, documentário. Só para Mulheres, um programa específico que durou quatro anos, um progresso para o segmento feminino que hoje, além de votar, tem cargos públicos, pode dirigir, mas ainda veste burcas. As esposas dos beduínos usam mordaças e não saem de casa.

Os principais programas são: Direção oposta, criado em 1996, segue o modelo de confrontar debatedores com opiniões diversas. Por conta do seu formato de chocar juízos, o refugiado e quem o expulsou por exemplo, muitos países retiraram seus embaixadores de Doha (Jordânia, Líbano etc). Outro, Religião em Vida, nesse ambiente já se discutiu temas polêmicos como o suicídio e a mulher. Para o ocidente pode parecer bem normais os temas abordados, mas para o Golfo Pérsico são considerados avanços trazidos pelo novo Emir.

Giovana relata que os entrevistados negaram interferência do governo na linha editorial, informando que se pode falar de tudo, ou seja, a Al-Jazeera bate em todos, inclusive na política externa do emirado. As críticas são baseadas, fundamentalmente, no fato da emissora não falar do país, e do próprio sensacionalismo, o que levou ao limite das cenas de violência tão combatidas.


Coberturas de guerras

Cobertura e apuração são diferenciadas, os profissionais da rede, ao contrário do que diz o senso comum americano, não privilegia terroristas. Eles argumentam que apenas dão oportunidades aos dois lados. A Al-Jazeera cobriu a 2ª Antifada, em 2000; guerra do Afeganistão, Palestina e Iraque, quando seu escritório foi bombardeado pelos americanos. Inaugurada em 1996, desde 2000 abriu escritório no Taliban, em Cabul, Afeganistão.
Única rede de TV que transmite vídeos de Osaman Bin Laden, onde apareceu 19 vezes, atualmente tem um procedimento seletivo para veiculação do líder muçulmano. Atualmente, é comprovada a autenticidade de suas mensagens, editadas, e só então transmitidas. A rede televisão árabe, em sua intenção de transmitir os dois lados dos conflitos do mundo contemporâneo, também veicula depoimentos de lídees israelenses.

Expansão

A rede de comunicação, considerada pelos americanos como a “rede do mal” é composta de 2 sites, 5 canais, centro de treinamento, serviço de notícias pelo celular, site bilíngüe (árabe e inglês), studios bem equipados e 35 escritórios espalhados pelo mundo. Agora estão inaugurando uma versão em inglês. O canal para criança foi idealizado pela segunda esposa do Emir, a encarregada de cuidar da educação no país.

A empresa quer abrir um canal de pesquisas e documentários, os árabes ambicionam fazer transmissões através de um canal em Washington, onde já existem 10 profissionais. Muitas ONGs tentam impedi-los.

Na América do Sul, a rede tem escritório em Caracas. Com três mil assinantes, no Brasil, há um correspondente avulso que passa por São Paulo. A rede tem representações nos países africanos e interesse em expandir-se na América Latina.

Algumas perguntas de participantes

Como a emissora vê a transmissão dos vídeos terroristas?
G – Não é encarado por eles como “terrorismo”, é apenas um lado da questão, e eles querem mostrar os dois ângulos..

O que dizer sobre a invasão ocidental?
G – O sonho de consumo é a vida ocidental. O Qatar é um grande mercado capitalista consumidor.

E sobre a rivalidade entre os Emirados Árabes e o Qatar?
G - A rivalidade com a Arábia Saudita é histórica muito mais do que com os Emirados Árabes; com estes inclui também a questão comercial.

Quais os efeitos que a Al-Jazeera provoca no jornalismo internacional?

G – A postura da emissora gera uma variedade de posições e muito acesso às fontes. O ponto principal é a veiculação da verdade das guerras. Já que se procura sempre, como dizem eles, mostrar o que outras emissoras não mostram, é possível, nesse sentido, uma busca da imparcialidade.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Oi Neuma, tudo bom? Agradeço pela menção à palestra, mas apenas gostaria de comentar algumas traduções "não-literais" que podem gerar certa confusão. A interpretação de certas respostas, como a da rivalidade entre o Qatar e a Arábia Saudita, por exemplo, não corresponde ao que quis dizer na ocasião. Eu havia dito que há uma rivaidade histórica com a Saudia muito mais do que com os Emirados, mas não que esta última se resumisse a uma questão comercial.
Obrigada pelo comparecimento à palestra!
Abraços,
Giovana

3:37 AM  

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