Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Sunday, October 22, 2006

Israel dos judeus é a preferida

Neuma Dantas

O correspondente da rede Globo em Israel, Marcos Losekann, falando ao Seminário Internacional de Jornalismo, no último dia 11 de outubro, expôs sobre a operacionalidade do trabalho de correspondente em Israel, a linha editorial da cobertura, os riscos e a visão árabe no conflito mundial.

A novidade é o clip-net, tecnologia que aperfeiçoou a qualidade do vídeo, via Internet, reduzindo custos de transmissão e descentralização dos repórteres nas transmissões internacionais. Com isso não há mais necessidade do uso de satélites, gerando menos tempo e despesas no trabalho de ligação dos profissionais com a emissora mãe. Agora a preocupação é saber se no local há banda larga, disse Losekann, em vídeo conferência com a atenta platéia do seminário.

O conceito de equipe muda: ela é formada pelo produtor e editor no Rio de Janeiro, ligados ao correspondente no exterior por mensagens via rede. Os cinegrafistas são fornecidos pelo aparato das agências. O jornalista lê e ouve o que há no dia, recebe informações das agências, e com a orientação da matriz, escreve sua matéria.

Fazer um jornal internacional para o brasileiro é o eixo da linha editorial da rede Globo. Segundo Losekann, o texto deve ser atrativo e interessante para o grande empresário de São Paulo ou o pescador nordestino. “Isso porque o Oriente Médio interessa a todos, o que acontece lá repercute na economia mundial”, lembra.

Riscos do conflito

O jornalista informou que quando a guerra do Hezbollah estourou, a emissora contratou um free-lancer para transmitir o lado dos palestinos, ficando ele para mostrar os judeus e libaneses. Para o jornalista é difícil ficar neutro em situações como mostrar que os árabes ficaram sem receber salários, por 10 meses, com a implantação do governo do Hammas.
Losekann diz que cobrir Jerusalém é bom porque a cidade, onde convivem inimigos, é neutra, assim como o Brasil. Por isso, ser brasileiro naquelas terras facilita o trabalho de comunicação da guerra.

A prova do sentimento de injustiça dos palestinos pode ser constatado a partir do Brasil. “O sinal da Globo não chega lá”, disse o correspondente da rede. Essa declaração encontra a fala do jornalista Mohammed Daoud, quando disse que a esse país não interessa o outro lado, nem para "vender" o Brasil.

Os palestinos reclamam do poder financeiro e bélico de Israel. Além disso, a imprensa privilegia o lado judeu. Apesar de ouvir também queixas do outro lado, o correspondente brasileiro atesta que o mundo árabe sofre mais, os adversários são mais auto-suficientes.

Para finalizar a parte expositiva Marcos Losekann disse que ser correspondente de guerra dar status, mas torna-o mais amargo e cansado. “Ser correspondente da Paz faz mais sentido”, desabafa, completando que está no Oriente Médio para fazer jornalismo de construção.

Resumo de algumas perguntas respondidas pelo repórter

Como é realizar tantas funções praticamente sozinho?
L – Atuar como produtor, editor e apresentador é muito útil, mas complicado. Trabalho muito com o telefone, tenho duas linhas e um celular; monto a câmara, gravo e dá tudo certo.

Idealismo e política são justificativas para a guerra?
L – Não, é difícil crer. A decisão de políticos em nome de Deus é lamentável.

Até que ponto a Globo zela pela vida dos repórteres em áreas de perigo?
L – O zelo da emissora é total. No Iraque, a região mais arriscada, a emissora não faz questão de levar os profissionais.
Há um curso na Inglaterra ou Estados Unidos de uma semana, onde vivemos guerra simulada para treinar as situações. A realidade, porém, é que se aprende no campo.

Qual o lado mais fácil para se conseguir fontes?
L – O lado árabe, mesmo a Palestina sendo meio desorganizada pelo fato de não ser um país. O motivo principal é porque o Brasil é querido lá.
Em Israel, a segurança é o forte. Seus interesses são voltados para o Estados Unidos, daí os repórteres da CNN terem privilégios.

O que falar sobre a exploração de personagens na guerra?
L – Acontece, tornando-se sensacionalismo. Quando morre um árabe é só mais um; quando morre um judeu mostra-se todo o “profile”. A verdade é que quando se personifica, corre-se o risco de tendenciar.

Como faz para manter o equilíbrio?
L- A insenção é difícil e necessária. Busco acertar ouvindo todas as vozes: as agências neutras, prós, contras e as fontes para bem informar e dormir tranqüilo.

Na despedida ele desejou sorte, dizendo que nossa profissão está complicada e difícil. Falou que os jornalistas apanham a cada dia e a tecnologia nos faz trabalhar mais. “A Internet dá oportunidades, as TVs regionais também. Não há tranqüilidade e facilidades em lugar nenhum”, encerrou.

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