Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Wednesday, September 27, 2006

Pequenos mercados prosperam na Pituba

Neuma Dantas
A clientela do bairro classe média responde bem aos negócios menores, pois atendem com a venda de gêneros de primeira necessidade, além de fazerem a política de lojas de vizinhança.
Em meio à heterogeneidade do comércio que o bairro da Pituba permite, o ramo de pequenos e médios mercados ocupa, graças à sua capacidade de negócios, lugar expressivo na economia da comunidade. O ramo de alimentação, em particular, maior razão de vendas em qualquer localidade, é um dos mais crescentes e necessários à manutenção da população. No caso em foco, esse crescimento torna-se evidente com a ampliação imobiliária que provoca demanda mercantil dessa ordem.
O fato da Pituba ser considera moradia de classe média, o estoque de mercadorias tem saída satisfatória, embora os preços sejam praticados com certa elevalação, para cobrir, de maneira naturalmente capitalista, as altas despesas operacionais do bairro. No confronto do custo-beneficio, moradores concluem que, gastos e tempo com locomoção para áreas menos dispendiosas, acabam nivelando qualquer acréscimo no preço das mercadorias, prevalecendo a comodidade de adquirir gêneros de primeira necessidade perto de casa.
O mercado Bônus, situado na Avenida Paulo VI, conta com os negócios associados da família: lanchonete/bar, banca de revista, acarajé e box para fazer chaves. Seu proprietário, Sérgio Gusmão, que foi iniciado no comércio pelo pai, avalia que o público torce e retorna bem à ampliação da casa com mais compras. Desde 1976, no bairro, o comerciante que administra a loja de 700m² e 32 empregados, recebe como forma de pagamento cheques, cartões, tickets, e dinheiro, no que se queixa apenas dos prejuízos com créditos em notas e cheques; incluídos também os pequenos furtos. O Bônus parcela apenas bens duráveis.
Respondendo a entrevista no espaço de compras onde gosta de conversar com os clientes que, em sua maioria, tornam-se amigos, Gusmão afirma que não há concorrência muito acirrada de preços, “porque os pequenos negócios estão voltados para serviços, não competindo com os grandes”. O Bônus é ligado à rede Smart, criada com objetivo de profissionalizar, capacitar e tornar-se um programa de vendas para o associado (pequenos e médios supermercados) com benefícios para a “loja de vizinhança”, vistos antes somente nos grandes grupos.
Ao descrever as vantagens de se filiar à rede, o Gerente do escritório de Salvador, Salvio Monte Alegre assinala que o Smart é um programa de associativismo, onde o empresário não perde a autonomia da sua loja; mas sim, adquire benefícios como redução de itens financeiros, marketing, treinamento e consultoria, entre outros. De acordo com o representante, os pequenos mercados não têm ferramentas para fidelizar o cliente, como nas grandes redes, além disso, os proprietários ainda sofrem com queda de lucros e falta de competitividade; Apesar desse detalhe, “há casos de aumento de 40% das vendas de empresários após associação à rede”, constata o supervisor.
O GM Supermercados Ltda., localizado na Rua Cel.Luiz Arthur Gomes de Carvalho é dirigido por um mineiro, admirador e ex-cliente do lendário Mamede Paes Mendonça, dono da maior rede de supermercados que a Bahia já teve. Geraldo Paiva diz que para montar hoje, seu mercado inaugurado em 1990, seria necessário um investimento de R$300 a 500 mil reais aplicado em maquinário, aluguel, manutenção, mobiliário, gôndolas, e mais R$50 a 100 mil reais em mercadorias.
Falando em peculiaridades da Pituba, Paiva confessa que nos finais de semana prolongados o mercado perde vendas, porque as famílias da Pituba viajam para a casa de praia. No verão, no entanto, chegam parentes de fora, os turistas aquecem as vendas. “Somos uma empresa de sociedade limitada, temos 38 empregados, e pago os salários indicados pelo SINDICOM, sindicato da classe, e a Associação Baiana de Supermercados”, informa.
Proprietário do Super Massa, o menor e mais novo mercado do bairro, Jurandir Brasil, vende mais mercadoria por unidade, não há grandes compras. Como mora no primeiro andar da loja, o pequeno empresário e sua mulher administram o próprio negócio, atendendo o público das 6h30m às 21h. Brasil diz que o forte do mercado são os produtos alimentícios e de limpeza. “Não faço caixa/estoque, compro quando a mercadoria acaba, vendo as necessidades da família”, explica, declarando que 90% dos produtos saem.
O tipo de negócio no bairro é seguro conforme os empresários, e na opinião de moradores mais antigos, não há muita rotatividade na praça, prova da sobrevivência e estabilidade do comércio. Perguntado sobre até que ponto avalia-se que pequenos e médios mercados influenciam na economia do bairro e da cidade do Salvador, Sérgio Gusmão considera que quanto menor o porte, maior o efeito benéfico à economia. Afinal, o número de funcionários por m², é maior, evita o monopólio e é mais vantajoso para a clientela.

Mulheres optam por casas especializadas em depilação

Bruna Bianca



Depois de anos realizando depilações de qualquer forma, enfrentando dores e pelos encravados, as mulheres resolveram optar por casas especializadas no ramo. A franquia Depyl instalada no bairro da Pituba foi a primeira a se instalar na cidade e em menos de dez meses no mercado soteropolitano já começa faz sucesso. A dona , com outras duas lojas em Fortaleza, declara já estar pensando em abrir mais duas em Villas do Atlântico e na Barra.“O mercado aqui em Salvador estava muito carente de um serviço como esse. Considero até que não tenho nenhum concorrente na cidade”, enfatizou Lise Vasconcelos, 28 anos.


Os salões, no entanto, não se intimidaram e continuam a oferecer seus serviços e a ter clientela, como garante a gerente Patrícia Souza do Perfil, localizado também na Av. Paulo Sexto,Pituba. O salão possui 4 depiladoras, 3 salas de depilação(sem projeções de aumento), e oferece diversas opções de depilação básicas como sobrancelha, axila, buço,decote, serviços para homens, entre outros, atendendo em média, nos finais de semana, 10 pessoas por dia.

O problema é que apesar das depiladoras tomarem cursos profissionalizantes, de acordo com a gerente, fazem apenas desenhos que “não são complexos, pois não estão habituadas na prática a realizarem este tipo de atividade”. Com relação as concorrentes especializadas a gerente não se mostrou muito preocupada.“Existem empresas especializadas, mas não considero que são concorrentes, pois nós oferecemos um pacote de serviços que vai além da depilação, isso é um conforto a mais para o cliente que não precisa ir para dois lugares”, disse.

De acordo com Lise Vasconcelos o diferencial da Depyl como franquia que hoje já possui 30 lojas pelo Brasil, é a cera anti-alérgica e anti- inflamatória, que vem de Santa Catarina, a especialização das depiladoras, a privacidade e a higiene enfatizada inclusive pelos clientes. “Durante a depilação a pessoa pode se ferir, se machucar e até se queimar, mas as depiladoras especializadas recebem um treinamento, com reciclagem constante, para que nada disso aconteça”, enfatizou. O negócio tem dado tão certo que a franquia agora tem procura na Venezuela e até me Londres.

Hoje a Depyl oferece onze opções de depilações cada uma com seu preço específico. Depilar a virilha, por exemplo, sai por R$ 11 mas a cliente mais exigente pode optar também por um desenho na púbis a escolher entre lua, estrela, setas, letras,corações, entre outros, que vai lhe custar R$ 27. O público alvo são as mulheres, mas a loja também oferece serviços exclusivos para os homens como contorno de barba, sombrancelhas, entre outros. Em Manaus foi inaugurada, há um ano, a Depyl Men que atende apenas a homens. “Ainda hoje alguns homens ainda se sentem constrangidos em frenquentar um ambiente com freqüência predominantemente feminina. Eles chegam aqui bem tímidos e ficam com vergonha de perguntar as coisas”, comentou Lise.

A procura varia de 20 a 30 pessoas por dia, durante a semana, e de 50 a 70, nos finais de semana.Cabines individuais, material descartável, e climatização contribuem para isto. “No salão geralmente colocam a gente em uma salinha, um cubículo, super desconfortável. Aqui a depilação dura até mais tempo e a dor é mais fraca, acho que a cera é mais encorpoda, , o produto é muito bom”, comentou a cliente Nayana Ferraz de 57 anos que freqüenta a casa desde janeiro .

O investimento inicial da franquia, por R$110 mil que inclui treinamento dos funcionários,de acordo com Lise, já está perto de ser quitado apesar do retorno estimado acontecer apenas de um ano e meio a dois com faturamento de 30% do valor da franquia.
“O negócio aqui deu mais certo do que em Fortaleza, lá as pessoas não dão tanto valor a um serviço especializado”, disse. Em Salvador a franquia funciona com quatro depiladoras, um manobrista mais uma manipuladora que trabalha com a cera no e a limpeza e higiene da loja. No verão Lise vai contratar mais funcionários.

Monday, September 25, 2006

Crédito Pessoal aquece economia

Diego Luduvice.
25-09-2006.


O volume da oferta de crédito pessoal no Brasil aumentou significativamente nos últimos anos. Dados do Banco Central mostram um crescimento de 33,4% no crédito disponibilizado para pessoas físicas até março em relação ao ano passado. Umas das justificativas para este aumento é viabilização do crédito consignado em folha de pagamento, que possui taxas de juros mais convidativas. Outra ressalva é o constante estímulo do governo para o micro-crédito com a intenção de desenvolvimento econômico através do consumo de bens e serviços.

A maior parte dos créditos disponibilizados no Brasil são indiretos, ou seja, aqueles que se fazem nos próprios estabelecimentos do varejo à longo prazo e em prestações menores. Este fato serviu como alicerce do crescimento econômico no ano de 2005 e alavancou as vendas no varejo, que tiveram crescimento real de 12,6% em realção à julho de 2004. Para se ter noção, segundo dados do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), o volume de crédito chegou a R$ 533,4 bilhões em julho de 2005 (28,2% do Produto Interno Bruto - PIB), ao contrario dos 25,3% apresentado em julho de 2004.

No Relatório da Estabilidade Financeira Global apresentado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no dia 12 de setembro em Cingapura, revelou que o desenvolvimento do crédito pessoal é uma realidade mundial, ao contrário do que afirma o governo restringindo este recurso somente ao Brasil. A taxa representativa da utilização do crédito pessoal para o PIB em outros países é maior do que a do Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, o percentual chega a 90%.

As taxas de juros aplicadas tiveram uma queda de 0,2 pontos percentuais em 2005 em relação ao ano anterior, o que auxilia ainda mais a ascensão do consumo. No entanto, assim como o volume de crédito tem um aumento contínuo, a inadimplência acompanha o ritmo com um pequeno crescimento de 0,1 p.p de 2004 para 2005.

Neste contexto há uma disparidade evidente. As vendas no varejo aumentam com as diversas ofertas de crédito pessoal somando ao crescimento econômico brasileiro, mas a taxa de inadimplentes segue o compasso. O que fazer então? Crescer economicamente, porém criando uma parcela maior de devedores? Esta conjuntura não abre espaço para o crescimento sustentável, o que não é positivo para um país que busca uma ascensão econômica.

Frangos magros da grande potência agrícola

Por Neuma Dantas
Com a implementação do Plano Real em 1994, o frango foi alçado à categoria de carro-chefe ou símbolo da estabilização financeira de preços, com o aumento do poder de compra dos brasileiros. Pudera, o quilo da ave custava R$1. De lá pra cá o negócio sofreu alguns reveses que desbancaram a carne de seu trono.
Primeiro foram as baixas do consumo internacional causadas pela expansão da gripe aviária na Europa, Oriente Médio e África. Segundo dados da Abef (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos), entre janeiro e julho/06 os embarques totalizaram 1,426 milhão de toneladas, contra 1,613 milhão de toneladas nos primeiros sete meses de 2005. Com isso, a receita cambial caiu 9,2% no período, para US$ 1,670 bilhão, segundo a Abef.
Os fatos atingiram fortemente os negócios na área, promovendo queda de vendas no exterior, o que gerou um excedente de oferta no mercado interno e os preços chegou a cair até 30% em algumas localidades. Em conseqüência, supermercados venderam o produto em São Paulo, no mês de março/06, a R$0,99 o quilo, menos que há 12 anos atrás, só para esvaziar o produto.
O boom das vendas de frangos brasileiros deu-se em 2004, quando o Brasil foi considerado maior exportador mundial de aves, com vendas de 2,4 milhões de toneladas e receita de 2,5 bilhões de dólares. Segundo a revista Globo Rural, a liderança do Brasil no mercado internacional de carne de frango foi obtida tanto com a ampliação dos mercados de destino, que agora somam mais de 130 países, quanto pelo aumento da rentabilidade das vendas.
O Brasil chegou a essas cifras mesmo com a iniciativa, em 2003, das autoridades européias igualarem em 75% as tarifas para os vários tipos de frango (congelado, resfriado e salgado), para entrar no bloco. Essa postura levou o país a iniciar uma disputa na OMC, e seus argumentos foram reconhecidos pelos árbitros em fevereiro de 2005.
Manifesto divulgado em 01 de setembro, subscrito por 28 entidades e empresas ligadas à produção brasileira de aves chama de “regresso ao colonialismo” a decisão européia de criar cotas para as aves industrializadas exportadas pelos brasileiros aos seus países. O Brasil não gostou da oferta do bloco de cota superior a 140 mil toneladas para o frango salgado e uma muito inferior a 130 mil toneladas para o frango e peru processados por considerar que, pelas normas da OMC, a UE deve oferecer cotas superiores ao volume que importou do Brasil em anos recentes.
Dentro da cota, a tarifa é de 15,4% para o frango salgado, 10,5% para o processado e de 8,4% para os industrializados de peru. Fora das cotas, os produtos serão submetidos à taxa de 1.024 euros por tonelada. Aproveitando a presença do Comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, no encontro entre ministros do G-20 (grupo integrado de 23 países da África, Ásia e América Latina), onde se discutiu principalmente a retomada das negociações da Rodada de Doha, o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, demonstrou o descontentamento do país relacionado aos aumentos das cotas.
Os países em desenvolvimento estão sempre submetidos aos interesses dos grandes blocos econômicos que, seguindo os ditames da globalização, continuam se unindo aos iguais para obter vantagens comerciais e impor barreiras às exportações dos menos poderosos. De acordo com o presidente da Abef, Ricardo Gonçalves, “o volume exportado de carne processada está longe de ameaçar o produtor e o processador europeu” e acrescenta que ele não é suficiente para barrar “ o ímpeto protecionista do bloco”. Não satisfeitos, com “rasteiras” anteriores os europeus continuam cometendo arbitrariedades que comprometem a expansão das exportações de frangos dos produtores brasileiros.
Mesmo quando se considera que o setor representa cerca de 1,5% do PIB nacional e emprega 4 milhões de pessoas, o Brasil enfrenta obstáculos externos com a política protecionista de subsídios agrícolas, e internos com a desvalorização dos próprios negociadores nacionais no comércio internacional. Os desafios estão sendo enfrentados a partir dos recursos impetrados na Organização Mundial do Comércio (OMC) para salvaguardar os direitos soberanos do país de competir no mundo capitalista em condições de igualdade. Mesmo necessitando da carne aviária brasileira eles se vêem audaciosamente, na posição de ainda cobrar alto pela entrada do produto nas terras do primeiro mundo.
“O Brasil deveria ser mais ambicioso” foi o que disse a representante do Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, na reunião do G-20 no Rio, referindo-se à modéstia do país, na apresentação das propostas de acesso ao mercado europeu. “O Brasil é uma potência agrícola”, disse ela. Parece que todos sabem disso, menos os brasileiros. Com exceção do MST.