Cardeal da Silva é dividida pelo comércio
A Federação, bairro considerado nobre, abriga hoje três universidades e inúmeros comércios. Nasceu como um bairro de residência para estudantes do interior e hoje apresenta um comércio variado, em especial no Engenho Velho da Federação, mas é na sua avenida principal, a Cardeal da Silva, que um estigma divide o comércio e os consumidores.
Segundo moradores da avenida, esta apresenta dois focos de comércio: um bem próximo a Universidade Salvador (UNIFACS) e outra próxima a entrada do parque São Brás, bem no início da Cardeal (para quem vem do Campo Grande). Juliana Oliveira, professora e moradora do bairro há 11 anos, diz que é muito difícil um comércio se fixar na parte que denominaremos de A1 (início da Cardeal). “Tudo que abre por aqui, dura no máximo um ano. É uma pena porque quando as lojas fecham temos que andar um bom pedaço para fazer compras”. Juliana completa dizendo que já passaram pelo trecho cerca de 5 padarias, uma vídeo locadora, uma lanhouse e três salões de beleza. Nenhum deles vingou.
Conveniências
O comerciante Valnei dos Santos Moreira, proprietário do Cardeal Alimentos, há nove anos mantém o seu mercado na A2 (área próxima a Unifacs), mas também já foi dono de uma loja de conveniência na A1. “O Armazem Conveniência durou um ano e fechou porque a dispeza era muita e o movimento era pouco. Os moradores do local residem por temporadas e não caracterizava um cliente fixo”. Em toda a Cardeal existe apenas um edifícil com aluguéis por temporada.
Valnei comemora o sucesso do seu estabelecimento na A2 e diz que os únicos meses que as vendas diminuem são de Dezembro e Janeiro e nos meses de Junho e Julho, devido às festas e viagens dos moradores. “São meses em que as pessoas viajam e gastam com as festas. As férias das faculdades também influenciam nas vendas”, diz o comerciante. Os produtos mais vendidos no mercado são coca-cola e pão, e sua média de lucros fica em torno de 60%.
Quanto ao fechamento do seu estabelecimento na A1, Valnei acredita que não tenha havido fatores decisivos para tal, a não ser as dificuldades normais que qualquer estabelecimento pode enfrentar. “Os demais comércios, que costumam fechar na outra parte da Cardeal, ‘quebram’ devido ao mau atendimento. Os antigos clientes do Armazem costumam vir comprar aqui no Cardeal Alimentos”, conclui Valnei.
Do outro lado da avenida...
A recém reinaugurada delicatessen Panetete, na A1, tem como novo proprietário Nelson de Oliveira. Ele já teve outros tipos de comércio e sabe que o público, o atendimento e o preço regem o negócio. “O público aqui é bom e seleto. Até o momento estamos satisfeitos e não tivemos prejuízos. Tudo dentro do planejado”, diz o novo dono da Panetete.
Com um “cast” de mais de 2 mil ítens, a delicatessen da A1 tem como produtos mais vendidos a coca-cola e o pão, e apresenta uma renda mensal de cerca de 17%. Ainda segundo o atual proprietário, o antigo dono não diversificava seus serviços, pecado que Nelson não pretende repetir. “Temos planos de agragar à Panetete uma papelaria, galeteria e outros serviços. Nós estamos aqui para a acabar com esta síndrome de comércio instável”, conclui otimista.
Adalcina Figueiredo, moradora do edifício Liliana (A2), faz suas compras em supermercados e só compra no mercadinho Cardeal Alimentos quando faltam algumas coisas, porque este fica mais perto. “Compro pão todos os dias. O pão no mercado Cardeal é mais caro, mas é de qualidade. Acredito que o preço seja o motivo da evasão dos clientes nos comércios próximos ao viaduto da Federação. Lá os preços são altos”. diz a moradora.
Já na A1, Aline Silva, moradora há 25 anos na Cardeal, acredita que o valor das mercadorias na parte onde mora sejam um tanto elevados. “Apesar da simpatia de todos os donos que esta delicatessen já teve, os preços realmente são mais altos. Por isso as pessoas, em alguns casos, preferem andar mais um pouquinho e comprar mais barato”. Conclui Aline, mostrando que apesar do bairro ser nobre, os moradores também querem economia.
