Pautando Economia e Política

Blog desenvolvido por alunos do 6° semestre do curso de jornalismo da FIB- Centro Universitário, através da discplina Jornalismo Especializado, orientada pelo professor Zeca Peixoto.

Tuesday, October 31, 2006

Cardeal da Silva é dividida pelo comércio

Por Vauline Gonçalves
O comércio de delicatessens na Avenida Cardeal da Silva é disputado e clientela não pensa duas vezes no quisito pesquisa de preço.

A Federação, bairro considerado nobre, abriga hoje três universidades e inúmeros comércios. Nasceu como um bairro de residência para estudantes do interior e hoje apresenta um comércio variado, em especial no Engenho Velho da Federação, mas é na sua avenida principal, a Cardeal da Silva, que um estigma divide o comércio e os consumidores.

Segundo moradores da avenida, esta apresenta dois focos de comércio: um bem próximo a Universidade Salvador (UNIFACS) e outra próxima a entrada do parque São Brás, bem no início da Cardeal (para quem vem do Campo Grande). Juliana Oliveira, professora e moradora do bairro há 11 anos, diz que é muito difícil um comércio se fixar na parte que denominaremos de A1 (início da Cardeal). “Tudo que abre por aqui, dura no máximo um ano. É uma pena porque quando as lojas fecham temos que andar um bom pedaço para fazer compras”. Juliana completa dizendo que já passaram pelo trecho cerca de 5 padarias, uma vídeo locadora, uma lanhouse e três salões de beleza. Nenhum deles vingou.

Conveniências

O comerciante Valnei dos Santos Moreira, proprietário do Cardeal Alimentos, há nove anos mantém o seu mercado na A2 (área próxima a Unifacs), mas também já foi dono de uma loja de conveniência na A1. “O Armazem Conveniência durou um ano e fechou porque a dispeza era muita e o movimento era pouco. Os moradores do local residem por temporadas e não caracterizava um cliente fixo”. Em toda a Cardeal existe apenas um edifícil com aluguéis por temporada.

Valnei comemora o sucesso do seu estabelecimento na A2 e diz que os únicos meses que as vendas diminuem são de Dezembro e Janeiro e nos meses de Junho e Julho, devido às festas e viagens dos moradores. “São meses em que as pessoas viajam e gastam com as festas. As férias das faculdades também influenciam nas vendas”, diz o comerciante. Os produtos mais vendidos no mercado são coca-cola e pão, e sua média de lucros fica em torno de 60%.

Quanto ao fechamento do seu estabelecimento na A1, Valnei acredita que não tenha havido fatores decisivos para tal, a não ser as dificuldades normais que qualquer estabelecimento pode enfrentar. “Os demais comércios, que costumam fechar na outra parte da Cardeal, ‘quebram’ devido ao mau atendimento. Os antigos clientes do Armazem costumam vir comprar aqui no Cardeal Alimentos”, conclui Valnei.

Do outro lado da avenida...

A recém reinaugurada delicatessen Panetete, na A1, tem como novo proprietário Nelson de Oliveira. Ele já teve outros tipos de comércio e sabe que o público, o atendimento e o preço regem o negócio. “O público aqui é bom e seleto. Até o momento estamos satisfeitos e não tivemos prejuízos. Tudo dentro do planejado”, diz o novo dono da Panetete.

Com um “cast” de mais de 2 mil ítens, a delicatessen da A1 tem como produtos mais vendidos a coca-cola e o pão, e apresenta uma renda mensal de cerca de 17%. Ainda segundo o atual proprietário, o antigo dono não diversificava seus serviços, pecado que Nelson não pretende repetir. “Temos planos de agragar à Panetete uma papelaria, galeteria e outros serviços. Nós estamos aqui para a acabar com esta síndrome de comércio instável”, conclui otimista.

Adalcina Figueiredo, moradora do edifício Liliana (A2), faz suas compras em supermercados e só compra no mercadinho Cardeal Alimentos quando faltam algumas coisas, porque este fica mais perto. “Compro pão todos os dias. O pão no mercado Cardeal é mais caro, mas é de qualidade. Acredito que o preço seja o motivo da evasão dos clientes nos comércios próximos ao viaduto da Federação. Lá os preços são altos”. diz a moradora.

Já na A1, Aline Silva, moradora há 25 anos na Cardeal, acredita que o valor das mercadorias na parte onde mora sejam um tanto elevados. “Apesar da simpatia de todos os donos que esta delicatessen já teve, os preços realmente são mais altos. Por isso as pessoas, em alguns casos, preferem andar mais um pouquinho e comprar mais barato”. Conclui Aline, mostrando que apesar do bairro ser nobre, os moradores também querem economia.

Sunday, October 29, 2006

Imprensa: É preciso rever seus conceitos

Por Vauline Gonçalves
Dentro do mundo jornalístico muito se prega a teoria e a prática da imparcialidade, embora todos que vivem e gostam do universo da notícia saibam que isto é um mito. É muita ingenuidade esperar que um meio de comunicação seja totalmente imparcial em determinada situação. Isso nunca aconteceu e é compreenssível que não ocorra de forma tão veemente.
O que muito me choca não é a pendencia de um ou outro veículo para determinado lado da notícia, mas a capacidade destes veículos de subestimar a inteligência de seu público e agir como se os leitores fossem verdadeiros e completos idiotas, prontos para assinar embaixo do que lê.
Até já cheguei a pensar que se tinha razão. Cheguei a acreditar na cegueira brasileira e no amém dito como quem diz “boa noite” ao jornal nacional: de forma automática. Felizmente o resultado eleitoral para presidência mostrou a triste e amarga verdade, lançada aos rostos perplexos da imprensa. É camarada... O povo já não é o mesmo.
Adoramos suas novelas, suas páginas coloridas, engolimos suas reportagens vazias e subliminares, mas temos cérebro. Não somos mais tão manipuláveis e idiotizados. Evoluímos! Ainda torcemos pela mocinha das oito e compramos o seu jornal todos os domingos, mas já sabemos dizer não ao que você prega como verdade. Cuidado!
Enquanto a maior parte da imprensa marcha em um único sentido, utilizando de todo o seu poder (que não é pouco) e de instrumentos sérios como a notícia e a relação de confiabilidade leitor/veículo para implantar “crendices”, o povo mostra nas urnas que sabe pensar e que tem vontade própria.
O caso mais grave

O caso que considero mais grave encontra-se aqui na Bahia. O tapa foi tão grande que, de uma só vez, o povo disse não a duas fortes potências: a imprensa e ao domínio ACM. E ainda de forma incisiva. “É nisso que dá construir mais universidades para esse povo”, diria um certo coronel.
Entendemos que o Corrieo da Bahia utilize suas páginas para deturpar manchetes e notícias, só não compreendo o porquê da denominação “jornal” a frente do nome. Era totalmente previsível que manchetes como: “Lula ‘privatiza’ Amazônia” (27.10.06) quando o lead apresenta: "No horário eleitoral gratuito na televisão, o candidato da coligação PSDB-PFL, o tucano Geraldo Alckmin, apresentou seus programas sociais, citou medidas para as regiões Norte e Nordeste e acusou Lula de ter 'privatizado a Amazônia'". E tantas outras manchetes seguem assim, colocando como afirmativa uma acusação do candidato. O que poderíamos esperar do Correio se não isso?
A Tribuna parece ter aprovado o “estilo jornalístico” de adaptação de notícias do Correio, porque passou a distorcer as informações como se a Bahia fosse um mundo à prte e isolado. Como se dependessemos dos gatekeepers dos impressos baianos para nos informarmos. O diário em questão deve ter razões fortíssimas para fazê-lo. Quem sou eu para condenar?
Por fim, temos o A Tarde, que se mostrou o menos parcial de todos. Em suas manchetes podemos verificar as notícias com o foco no local certo, de acordo com o fato. Não podemos isentá-lo de parcialidade porque ficou clara a posição política do mesmo. Contudo, não pude sentir qualquer tentativa de persuassão ou de violência à inteligência do leitor.
Acredito que a imprensa baiana tenha levado uma boa lição, mas também não creio na revisão dos erros. Ainda há muito o que caminhar até que os poderes desta terra percebam que já não somos os mesmos. Hoje temos acesso a outros veículos sem qualquer dificuldade. Hoje discutimos os problemas tanto com o colega do trabalho quanto com o taxista ou o porteiro do prédio. A informação corre e, surpreeendemente, com mais eficiência pelo “telefone sem fio” do cotidiano, do que pelas páginas dos jornais.
Os tempos são outros caros editores e donos de jornais. Vocês precisam se informar melhor e se preparar para, apartir de então, fazer matérias direcionadas a pessoas, cidadãos e seres pensantes. A era da alienação está chegando ao fim, e o mais interessante: A imprensa nacional também precisa fazer uma análise e redirecionar seus holofotes: o norte-nordeste acaba de mostrar sua existência e sua força. Cuidado!

Saturday, October 28, 2006

O espetáculo do dossiê

Neuma Dantas


Nas eleições de 2006 para presidente da República, mais uma vez, foram acionados recursos duvidosos ou ocultos, empreendidos por partidos políticos e poderosos da mídia, para impor seus interesses eleitorais a todo custo. Empresa de comunicação e seus representantes executivos, repórteres e delegado da polícia federal, envolvidos no caso “dossiê”, protagonizam um escândalo, muito mais jornalístico do que político.

A revista Carta Capital de 18 de outubro, em matéria intitulada A trama que levou ao segundo turno - Os fatos ocultos, de autoria de Raimundo Rodrigues Pereira, denunciou a omissão de informações pela rede Globo de televisão, em sua edição às vésperas das eleições do 1º turno.

A supressão está relacionada a detalhes contidos em fita gravada que demonstram a operação montada pelo delegado Edmilson Pereira Bruno, quando da entrega de um CD com fotos de dinheiro vivo, aos jornalistas convocados para um inusitado encontro além dos muros da polícia. Tais imagens comprometedoras da reeleição de Lula, retratavam dollares e reais, valores que supostamente comprariam o dossiê anti-Serra dosVedoin.


Recordando os passos

A história começou no dia 15 de setembro, dia em que Valdebran Padilha e Gedimar Passos, ligados ao PT, foram presos pela Policia Federal com o pacote de 1,7 milhões de reais para compra das provas que incriminariam os candidatos paulistas no esquema dos sanguessugas. No final da tarde desse mesmo dia, equipes de Alckmin, Serra e da Globo foram as primeiros a chegar no prédio da polícia federal, em São Paulo, seguidos depois pelos representantes da Folha, CBN e TV Bandeirantes, quando ainda ninguém sabia do ocorrido. A reportagem da Carta pergunta, quem avisou a eles da prisão? E mais, a quem interessava divulgar a história do dossiê?

Seguindo o roteiro da operação, dia 29 de setembro, o delegado que prendeu os prepostos do Partido dos Trabalhadores, convocou jornalistas para entregar um CD com 23 imagens do dinheiro, que ele mesmo produziu escondido, recomendando que fossem veiculadas, principalmente, no Jornal Nacional, dia seguinte, antes das eleições. Promessa cumprida também pela Folha e Estadão, a superexposição mostrava as fotos, sem, no entanto, veicular o teor da fita gravada com o diálogo do policial com os profissionais da notícia.

O autor da matéria questiona por que não foi explicada ao público a clara intenção em interferir politicamente no processo eleitoral, tanto da parte do delegado afastado do caso, quanto dos veículos de comunicação. Sinal de manipulação explicita.

Entramos no universo da ética profissional, devassadamente ultrapassado pela jornalista da Folha, que atendeu o pedido de Bruno de divulgar que as fotos foram roubadas. A ocorrência leva Raimundo Pereira novamente a questionar: Qual o sentido de publicar uma informação mentirosa, que ainda ajudava o policial a tentar enganar a própria imprensa”?


A teoria explica a prática e vice-versa

Encontramos respostas às perguntas, na própria reportagem e no artigo publicado no Observatório da Imprensa, em 24 de outubro/06, onde sua autora, Liziane Guazina comenta que, infelizmente, as falhas da cobertura do Jornal Nacional e os vazamentos de informações não são atípicos nas relações entre jornalistas e fontes. A razão é que as empresas de comunicação visam seus interesses na dança do poder.

Guazina pontua seu texto com citações de vários teóricos conhecidos de nossos estudos, a exemplo de Gaye Tuchman, socióloga norte-americana, que derruba o mito da objetividade e do profissionalismo. Interpretando o que diz a teórica, a objetividade é uma manobra operativa na qual se apóia o jornalista para tomar uma decisão sem riscos. Portanto, enganado estava, o diretor de Jornalismo da rede Globo, Ali Kamel, quando emitiu justificativas sobre seu procedimento anti-ético, baseando-se no empenho de “informar com correção e imparcialidade”. Inverdades e mitos da profissão.

O artigo de Liziane também recorre ao jornalismo a serviço das fontes e a prática declaratória dos depoimentos passarem a valer mais que a apuração dos acontecimentos. “As análises de cobertura jornalística mostram que não é o fato que se destaca, mas as versões sobre o fato”, afirma. Assim o delegado Bruno disse o que quis, escolheu quando, como e a quem revelar suas informações – “sem que os interesses que o levou a tanto sejam expostos claramente nas reportagens”, exemplifica a autora do texto.


Pauta da vez

Outros articulistas como Paulo Henrique Amorim, Marcelo Salles, Reinaldo Azevedo, Mino Carta, as revistas semanais, periódicos impressos e sites diários, rádio, TV, enfim, a mídia brasileira volta-se para o assunto dossiê. Fala-se e escreve-se de forma espetacular, criando desdobramentos, incriminando pessoas, supondo fatos e até acreditando em depoimentos falsos para temperar com pimenta o escândalo que ocupa a cena eleitoral.

Apesar da maioria dos órgãos de imprensa praticarem o anti-Lula e pró-tucano, e não só a Globo, funcionários de seus quadros reclamaram da atitude de se fazer jornalismo unilateral. Afinal Abel Pereira e Barjas Negri e José Serra, ligados ao PSDB, também tinham relações com os Vedoin, empresários chefes da máfia dos sanguessugas.

Entre as dez perguntas encaminhadas à Globo, pela Carta Capital o teor da nº5 é o seguinte: Por que, a partir do escândalo do dossiê, o Jornal Nacional não citou que 70% por cento das ambulâncias da Planam foram liberadas na gestão do PSDB? Não fica difícil concluir, diante da desigualdade de posições, os critérios escolhidos para cobrir o período eleitoral pela emissora de maior audiência no país.

TV Globo, o delegado e outros assuntos capitais é o título do artigo de Marcelo Salles, escrito em 24 de outubro último, onde ele lança um desafio para o debate público, sobre a questão espinhosa do modelo atual de comunicação, controlado pelo oligopólio da rede Globo. Conforme o jornalista, se tivéssemos outras opções, a emissora não teria o poder de influenciar psicologicamente ou interferir concretamente no processo eleitoral. A Constituição Federal, ao contrário, garante, em tese, a liberdade de escolha e de expressão de qualquer brasileiro.

Grotesco espetáculo

Tais acontecimentos e práticas estranhas aproximam o jornalismo político do espetáculo midiático a que está exposta a vida contemporânea. Em seu livro A Sociedade do Espetáculo, Guy Debord diz, que “o espetáculo é o coração da irrealidade da sociedade real” e acrescenta que “sob todas as suas formas particulares, informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto de divertimentos, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante”. E não é isso que se tornou o ambiente eleitoral?

Mesmo sendo proibidos os showsmícios, certos atores políticos encontram formas diferentes, sem ser inovadores, de chamar a atenção ridicularizando seus opositores; mais que isso, desconheceu-se qualquer procedimento balizador da ética ou princípio que faz dessa técnica de informar, uma profissão.

O mote é forjar um espetáculo para provocar conseqüentes prejuízos eleitorais. Possivelmente, esses personagens são os mesmos que abominam a idéia do Conselho de Jornalismo. Claro querem continuar ditando as regras na política de comunicação no país. Parece que o povo não aceita, prova são os resultados das pesquisas para eleger o próximo presidente.



Thursday, October 26, 2006

E o que sobrou do dossiê?

Bruna Binca e Diego Luduvice

Sempre se soube que a Carta Capital é uma revista chegada para o lado do PT, mas dizer que esta coloca em cheque a sua credibilidade a favor de um partido é ir longe demais. Foi o que fez o comentarista da Veja, Reinaldo Azevedo em seu blog, depois que a revista publicou uma matéria de capa no dia 25 de outubro, acusando a Rede Globo de participar do complô contra os petistas, omitindo fatos contra o PSDB.

Na matéria da Carta Capital, o jornalista Raimundo Rodrigues diz em alto e bom som que de fato a globo contribuiu para levar a disputa ao 2º turno. E que isso se devia, de acordo com a revista, ao fato da rede e outros veículos terem omitido a informação de quem lhes forneceu a foto da dinheirama entregue para compra do dossiê, ter omitido informações sobre a máfia das ambulâncias em diversas instâncias.

O fato é que por baixo de toda a dinheirama, e de tanta polêmica, se esconde o principal motivo dos acontecimentos: a venda das ambulâncias superfaturadas conhecida como “operação sanguessuga”, que 70% das 891 ambulâncias comercializadas pela Planam, a empresa dos Vedoin, entre 2000 e 2004, tiveram suas verbas liberadas nas gestões de Serra e Negri.

Chega a ser impressionante o fato da mídia brasileira se desvirtuar de forma tão rápida. O que se aprende no jornalismo passa a ser usado até mesmo para se justificar omissões, como a questão das fontes. Acusações passam a ser normais e brigas passam a acontecer até mesmo entre os jornalistas que se esquecem do interesse público e passam a escrever, por vaidade e orgulho, matérias extensas com o propósito de se auto promoverem.Ninguém quer nem mais saber a verdade, basta conseguir o furo.

Mas é justamente o furo jornalístico que pode ferir a ética e é o que tem acontecido. Não se tem tempo de se apurar as denúncias.As notícias já não são confiáveis, e até os jornalistas entram na maracutaia (por vontade própria ou não). O problema em parte, na verdade, poderia estar resolvido se a mascara da imparcialidade, que de fato não existe, fosse de uma vez por todas derrubada.

Monday, October 23, 2006

Conflito no Oriente Médio atrai a mídia

Neuma Dantas

Colunista do jornal Jerusalém Post, em Israel, Amotz-Asa-El, centrou sua fala, durante a paresentação no Seminário Internacional de Jornalismo, na pergunta: “Onde é o campo de batalha que precisa ser coberto no Oriente Médio? É entre as balas ou em outro lugar?”, questionou no evento realizado pela Comunique-se -Escola de Comunicação, em São Paulo, dias 10 e 11 de outubro sde 2006.

O jornalista esclarece que a verdadeira cobertura está no campo da liberdade, em todos os espaços no Oriente Médio. As matérias sobre a região, esclarece o israelita, devem mostrar as dificuldades da terra, como negar empregos às mulheres e outros aspectos não mostrados. “Essa sim, é a verdadeira batalha para os jornalistas”, concluiu para o auditório que ouvia em tradução simultânea.

Há desproporção na cobertura de Israel e Palestina em relação ao resto do mundo, é o que Asa-El entende . Não se cobre a guerra do Sudão ou da Argélia constata, acrescentando que só se está presente no Oriente Médio. “Como jornalista vejo que a informação deve ser dada de todos os lugares”, deduz.

Respondendo a uma questão sobre os setores econômicos mais afetados pelo conflito, o palestrante resumiu os prejuízos num só produto: o petróleo. Acrescentou ainda que a indústria bélica e as drogas, no Líbano, se beneficiam da guerra. Para ele, do ponto de vista do desenvolvimento econômico no mundo árabe, é preciso empoderar as mulheres e resolver problemas sociais.

Sobre o jornalismo israelense e a crítica à imprensa americana Asa-El explicou que se pode escrever qualquer coisa em Israel, mas “somos pró-americanos, porque recebemos proteção deles e temos afinidades religiosas”, declarou.
Uma outra questão de cunho político foi citada pelo colunista no inicio da exposição quando, em defesa do seu povo, pergunta: "Quando vou ver os árabes construirem seu país em vez de atacar o inimigo"? Asa-El incluiu o tema ao dizer que a religião do Islã era a mais progressista, e completa, em tom discursivo, que é preciso libertar a região para voltar à criatividade. "É preciso redefinir a história jornalística do Oiente Médio", assevera.

A mídia precisa unir brasileiros e árabes

Neuma Dantas



O correspondente no Brasil, da revista Sayidaty Magazine, de Dubai, capital dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed Daoud, baseou sua explanação na crítica ao país pela falta de comunicação com o Oriente Médio. O fato do universo árabe e o Brasil não se conhecerem, pode ser creditado à mídia, ao afastar-se de sua responsabilidade de uni-los. A falta de atitude dos brasileiros em não se "venderem" ao mundo é outra observação feita por Daoud.
O jornalista questionar o que sabemos dos árabes. Que são extremistas ou terroristas. "O que eles sabem do Brasil? Futebol, carnaval e o turismo sexual, e não é isso", afirma convicto Daoud, que aprende a falar português em São Paulo, e considera injustiça com o próprio país, não se mostrar ou deixar-se mostrar negativamente.

A ausência de profissionais brasileiros nos 22 países da região leva-o a assegurar que as análises das matérias são frágeis, porque privilegiam o lado israelense, onde há correspondente brasileiro, e refletem o ponto de vista das agências internacionais. “A política da Globo não mostra equilíbrio nas coberturas”, acrescentou, ao explicar que a ausência do lugar descaracteriza a verdade. Para ele não se pode descrever de forma abstrata, de longe, sem entrevistar fontes exclusivas, para dar apoio aos textos, afinal, “o papel do jornalismo é educar corretamente”, ensina.

Daoud, que já trabalhou em Londres e cobriu conflitos nos países nucleares como Paquistão, Índia e região da Cashemira, interroga: Se o Oriente Médio interessa ao mundo, por que não ao Brasil? Deveria haver jornalistas pelo menos nas áreas mais conflitadas ou as emissoras brasileiras convidarem especialistas para explicar as situações sob o ponto de vista árabe. Este é sua perspectiva do assunto. De acordo com o palestrante, nos últimos 10 anos, muitos países árabes tornaram-se mais seguros que Israel, onde há bombas por todo lugar. "E é nesse lugar que a Globo mantém um correspondente", ressalta.

Censura a falta de interesse do país em “vender-se” por meio de uma versão da TV em inglês ou espanhol, também foi feita pelo profissional, que é sírio. Conforme ele, esse procedimento é uma prova da falta de comunicação com o mundo, o qual não conhece o Brasil. Nesse ponto a Venezuela ganha. “Veja, a Al-Jazeera instalou-se em Caracas, não no Brasil, porque eles não conhecem nada daqui”, ironizou.

Na sua opinião os árabes que moram no país também deveriam contribuir para a propagação do Brasil naquelas terras. Segundo sua experiência nos dois lados, Daoud diz que a imagem do país no mundo árabe não é boa. É preciso, através de um planejamento, mudar essa visão, e não só mostrar mulatas, carnaval e futebol. “A impressão que se tem das mulheres é muito ruim”, ressalta, afirmando que já constatou que a verdade é outra e que o Brasil pode se revelar de forma mais respeitosa.

Algumas perguntas:

O que o senhor escreve, como correspondente, na revista Sayidaty?

D – A minha publicação pediu pra vir pra cá. A Europa sabe mais do Brasil com minha revista. Sinto pena, os estrangeiros distorcem a realidade brasileira porque é passada de forma incorreta. O Brasil pode dar lições para outros países, ele não se valoriza, é preciso se respeitar para que os outros o façam também. Não faço críticas, só observações.

Quem consegue ser mais imparcial na cobertura do Oriente Médio?

D – Ninguém é imparcial, todos falam de seus interesses. Mas há um limite. É preciso ter democracia, claro que no mundo árabe não há eleições; em Israel há mais democracia. Os árabes não são flexíveis, eu sei. O sistema é de ditadura.
O correspondente brasileiro no Oriente Médio, Losekan, não é imparcial, ele segue o ponto de vista israelenses, que usa a parcialidade como estratégia do conflito armado, e nessa situação há restrições para a mídia na guerra.
Há 51 anos existe uma luta e por conta das estratégias militares é impossível ter imparcialidade na mídia, principalmente dentro de Israel. De ambos os lados, todos são parciais, mas com barreiras.

Sobre a cobertura do 11 de setembro?

D – A cobertura foi bem conservadora do lado árabe e aberta do lado judeu. A mídia, em sua maioria criticou, condenou do ponto de vista do terrorismo. Não houve cobertura completa no mundo árabe.

É possível estabelecer democracia no mundo árabe?

D – Sim. Como em qualquer lugar. A democracia não é receita, há muitas diferenças dos povos. Árabes e muçulmanos diferem na religião e por meio da força não é possível estabelecer democracia. Os Estados Unidos entraram num tanque de guerra para estabelecer democracia.
É preciso resolver problemas sociais. Se virem de fora, não funciona uma democracia ocidental no mundo árabe. Quer dizer, quando vem uma democracia contra o Islã não é bom, é preciso preparar a sociedade, educar e respeitar a cultura.
Mesmo no Brasil, a democracia não é perfeita.



Al-Jazeera: a mídia polêmica se expande no mundo

Neuma Dantas


Jornalista paulistana, Giovana Sanchez pesquisou o tema da mídia polêmica, Al-Jazeera, como Trabalho de Conclusão de Curso, em 2004, em Santa Catarina. Para isso, viajou para o Oriente Médio, onde permaneceu por 10 dias, na capital do Qatar, Doha, cidade central e sede da rede, colhendo material para a pesquisa. O relato dessa "missão", caracterísicas da mídia, e as dificuldades que uma jovem repórter vive para executar uma cobertura naquelas paragens, foi o tema da exposição que abriu o Seminário Internacional de Jornalismo, em outubro/2006.

Qatar é um pequeno e rico país do Golfo Pérsico, onde 95% da população segue o islamismo e tem um regime autocrático. É um Emirado, que quer dizer regime cujo chefe ou príncipe, em países muçulmanos, é tido como um descendente de Maomé.
O governo financia toda a educação e no país não há dificuldades para conseguir empregos. Todos são alfabetizados em inglês e na língua materna, o árabe. Há escolas de comunicação no Qatar, porém os jornalistas, em sua maioria, têm formação na Europa e Estados Unidos.


Por que A-Jazeera?

- Mídia árabe pré-Al-Jazeera – Imprensa presa aos ditames do Ministério da Informação.

História: O filho do Emir, Hamad bin Khalifa al Tani, promoveu um golpe político no Qatar, em 1995, tomando o poder do pai. O novo mandatário insere entre outras mudanças, o direito de voto à mulher e a criação de uma rede de comunicação com formato ocidental, espelhada na BBC londrina, financiada pelo Emirado.

O Qatar abre-se para o mundo através da TV por venda de imagens e assinatura, para fugir ao boicote publicitário imposto pela Arábia Saudita. A grande diferença dessa rede de TV é a falta de propaganda, onde praticamente não há anunciantes. Chegou-se a pensar em privatizá-la, mas até então continua sendo sustentada pelo governo do novo Emir, 44 anos.

A rede estatal, pública, via satélite, conforme Giovana, tem ambiente calmo. Pouco é produzido na sede, pois não há repórteres em Doha, ela é a sede que aglutina os textos, sem vincular informações estatais. Há outros canais mais oficiais com notícias do Emirado, além de uma emissora do Hezbollah.

Algumas das características da Al-Jazeera são incomuns ao mundo da comunicação. Os repórteres tem liberdade total, há participação do público, dos redatores e repórteres dissidentes de outros meios. O newsmaking árabe é igual ao ocidental, com reunião de pauta e compra de notícias de agências, a diferença está na perspectiva sobre o mundo árabe. Sua audiência está em torno de 40 milhões de telespectadores.

Sua programação consta de 70 % de notícias, telejornais, talk-shows, programas interativos
e de auditório, como: Sem fronteiras, programa de entrevistas; Super Secreto, documentário. Só para Mulheres, um programa específico que durou quatro anos, um progresso para o segmento feminino que hoje, além de votar, tem cargos públicos, pode dirigir, mas ainda veste burcas. As esposas dos beduínos usam mordaças e não saem de casa.

Os principais programas são: Direção oposta, criado em 1996, segue o modelo de confrontar debatedores com opiniões diversas. Por conta do seu formato de chocar juízos, o refugiado e quem o expulsou por exemplo, muitos países retiraram seus embaixadores de Doha (Jordânia, Líbano etc). Outro, Religião em Vida, nesse ambiente já se discutiu temas polêmicos como o suicídio e a mulher. Para o ocidente pode parecer bem normais os temas abordados, mas para o Golfo Pérsico são considerados avanços trazidos pelo novo Emir.

Giovana relata que os entrevistados negaram interferência do governo na linha editorial, informando que se pode falar de tudo, ou seja, a Al-Jazeera bate em todos, inclusive na política externa do emirado. As críticas são baseadas, fundamentalmente, no fato da emissora não falar do país, e do próprio sensacionalismo, o que levou ao limite das cenas de violência tão combatidas.


Coberturas de guerras

Cobertura e apuração são diferenciadas, os profissionais da rede, ao contrário do que diz o senso comum americano, não privilegia terroristas. Eles argumentam que apenas dão oportunidades aos dois lados. A Al-Jazeera cobriu a 2ª Antifada, em 2000; guerra do Afeganistão, Palestina e Iraque, quando seu escritório foi bombardeado pelos americanos. Inaugurada em 1996, desde 2000 abriu escritório no Taliban, em Cabul, Afeganistão.
Única rede de TV que transmite vídeos de Osaman Bin Laden, onde apareceu 19 vezes, atualmente tem um procedimento seletivo para veiculação do líder muçulmano. Atualmente, é comprovada a autenticidade de suas mensagens, editadas, e só então transmitidas. A rede televisão árabe, em sua intenção de transmitir os dois lados dos conflitos do mundo contemporâneo, também veicula depoimentos de lídees israelenses.

Expansão

A rede de comunicação, considerada pelos americanos como a “rede do mal” é composta de 2 sites, 5 canais, centro de treinamento, serviço de notícias pelo celular, site bilíngüe (árabe e inglês), studios bem equipados e 35 escritórios espalhados pelo mundo. Agora estão inaugurando uma versão em inglês. O canal para criança foi idealizado pela segunda esposa do Emir, a encarregada de cuidar da educação no país.

A empresa quer abrir um canal de pesquisas e documentários, os árabes ambicionam fazer transmissões através de um canal em Washington, onde já existem 10 profissionais. Muitas ONGs tentam impedi-los.

Na América do Sul, a rede tem escritório em Caracas. Com três mil assinantes, no Brasil, há um correspondente avulso que passa por São Paulo. A rede tem representações nos países africanos e interesse em expandir-se na América Latina.

Algumas perguntas de participantes

Como a emissora vê a transmissão dos vídeos terroristas?
G – Não é encarado por eles como “terrorismo”, é apenas um lado da questão, e eles querem mostrar os dois ângulos..

O que dizer sobre a invasão ocidental?
G – O sonho de consumo é a vida ocidental. O Qatar é um grande mercado capitalista consumidor.

E sobre a rivalidade entre os Emirados Árabes e o Qatar?
G - A rivalidade com a Arábia Saudita é histórica muito mais do que com os Emirados Árabes; com estes inclui também a questão comercial.

Quais os efeitos que a Al-Jazeera provoca no jornalismo internacional?

G – A postura da emissora gera uma variedade de posições e muito acesso às fontes. O ponto principal é a veiculação da verdade das guerras. Já que se procura sempre, como dizem eles, mostrar o que outras emissoras não mostram, é possível, nesse sentido, uma busca da imparcialidade.

Sunday, October 22, 2006

Israel dos judeus é a preferida

Neuma Dantas

O correspondente da rede Globo em Israel, Marcos Losekann, falando ao Seminário Internacional de Jornalismo, no último dia 11 de outubro, expôs sobre a operacionalidade do trabalho de correspondente em Israel, a linha editorial da cobertura, os riscos e a visão árabe no conflito mundial.

A novidade é o clip-net, tecnologia que aperfeiçoou a qualidade do vídeo, via Internet, reduzindo custos de transmissão e descentralização dos repórteres nas transmissões internacionais. Com isso não há mais necessidade do uso de satélites, gerando menos tempo e despesas no trabalho de ligação dos profissionais com a emissora mãe. Agora a preocupação é saber se no local há banda larga, disse Losekann, em vídeo conferência com a atenta platéia do seminário.

O conceito de equipe muda: ela é formada pelo produtor e editor no Rio de Janeiro, ligados ao correspondente no exterior por mensagens via rede. Os cinegrafistas são fornecidos pelo aparato das agências. O jornalista lê e ouve o que há no dia, recebe informações das agências, e com a orientação da matriz, escreve sua matéria.

Fazer um jornal internacional para o brasileiro é o eixo da linha editorial da rede Globo. Segundo Losekann, o texto deve ser atrativo e interessante para o grande empresário de São Paulo ou o pescador nordestino. “Isso porque o Oriente Médio interessa a todos, o que acontece lá repercute na economia mundial”, lembra.

Riscos do conflito

O jornalista informou que quando a guerra do Hezbollah estourou, a emissora contratou um free-lancer para transmitir o lado dos palestinos, ficando ele para mostrar os judeus e libaneses. Para o jornalista é difícil ficar neutro em situações como mostrar que os árabes ficaram sem receber salários, por 10 meses, com a implantação do governo do Hammas.
Losekann diz que cobrir Jerusalém é bom porque a cidade, onde convivem inimigos, é neutra, assim como o Brasil. Por isso, ser brasileiro naquelas terras facilita o trabalho de comunicação da guerra.

A prova do sentimento de injustiça dos palestinos pode ser constatado a partir do Brasil. “O sinal da Globo não chega lá”, disse o correspondente da rede. Essa declaração encontra a fala do jornalista Mohammed Daoud, quando disse que a esse país não interessa o outro lado, nem para "vender" o Brasil.

Os palestinos reclamam do poder financeiro e bélico de Israel. Além disso, a imprensa privilegia o lado judeu. Apesar de ouvir também queixas do outro lado, o correspondente brasileiro atesta que o mundo árabe sofre mais, os adversários são mais auto-suficientes.

Para finalizar a parte expositiva Marcos Losekann disse que ser correspondente de guerra dar status, mas torna-o mais amargo e cansado. “Ser correspondente da Paz faz mais sentido”, desabafa, completando que está no Oriente Médio para fazer jornalismo de construção.

Resumo de algumas perguntas respondidas pelo repórter

Como é realizar tantas funções praticamente sozinho?
L – Atuar como produtor, editor e apresentador é muito útil, mas complicado. Trabalho muito com o telefone, tenho duas linhas e um celular; monto a câmara, gravo e dá tudo certo.

Idealismo e política são justificativas para a guerra?
L – Não, é difícil crer. A decisão de políticos em nome de Deus é lamentável.

Até que ponto a Globo zela pela vida dos repórteres em áreas de perigo?
L – O zelo da emissora é total. No Iraque, a região mais arriscada, a emissora não faz questão de levar os profissionais.
Há um curso na Inglaterra ou Estados Unidos de uma semana, onde vivemos guerra simulada para treinar as situações. A realidade, porém, é que se aprende no campo.

Qual o lado mais fácil para se conseguir fontes?
L – O lado árabe, mesmo a Palestina sendo meio desorganizada pelo fato de não ser um país. O motivo principal é porque o Brasil é querido lá.
Em Israel, a segurança é o forte. Seus interesses são voltados para o Estados Unidos, daí os repórteres da CNN terem privilégios.

O que falar sobre a exploração de personagens na guerra?
L – Acontece, tornando-se sensacionalismo. Quando morre um árabe é só mais um; quando morre um judeu mostra-se todo o “profile”. A verdade é que quando se personifica, corre-se o risco de tendenciar.

Como faz para manter o equilíbrio?
L- A insenção é difícil e necessária. Busco acertar ouvindo todas as vozes: as agências neutras, prós, contras e as fontes para bem informar e dormir tranqüilo.

Na despedida ele desejou sorte, dizendo que nossa profissão está complicada e difícil. Falou que os jornalistas apanham a cada dia e a tecnologia nos faz trabalhar mais. “A Internet dá oportunidades, as TVs regionais também. Não há tranqüilidade e facilidades em lugar nenhum”, encerrou.

Um repórter, uma editora: caminhos diferentes no jornalismo internacional.

Neuma Dantas

Convidada para participar do Seminário Internacional de Jornalismo, a editora do Caderno Mundo, do Jornal Folha de São Paulo, Cláudia Antunes, falou, entre outros assuntos, das diferenças do fazer jornalístico moderno, sobre o processo de produção do jornal, das dificuldades de cobrir os eventos estrangeiros e da posição política brasileira perante a comunidade internacional.

Segundo Cláudia a diferença básica do trabalho nas redações de hoje é o uso da Internet. Embora seja um recurso inovador, as facilidades da rede não são bem aproveitadas, ou seja, as redações ainda usam muito as Agências de Notícias, mesmas fontes com perspectivas parecidas e pontos de vista ocidentais. “O que falta é explorar a diversificação de fontes”, orienta.

Durante a fala, a editora diagnosticou as dificuldades do jornalismo brasileiro nas coberturas internacionais, nascidas da ausência de uma agenda própria. Em outras palavras, a sociedade brasileira, enquanto representação no campo político, não tem identidade nem prioridades na política externa. Os redatores não entendem, segundo Cláudia, que as notícias de agências são incompletas; “deve-se acrescentar opiniões de fontes brasileiras” ensina. Essa postura aproxima a notícia do leitor nacional.

O pouco empenho ou a confiança em cobrir o próprio país, visto pelas comunidades internacionais, foi outro assunto abordado. O Brasil tem muita atuação, entretanto é raro cobrir sua presença nos fóruns estrangeiros. Por exemplo, pouco se relata que presidimos, na ONU, a Comissão de Distribuição de Material Nuclear. Quando questionada sobre o interesse do mundo pelo país, Cláudia respondeu “há muito, e aumentou nos últimos anos”.

A redação jornalística nas coberturas internacionais foi outro tema comentado no auditório entre os profissionais e estudantes. A editora afirmou que há bastante reprodução de clichês por limitação cultural dos jornalistas ou por se deixar dominar pelo senso comum ou estereótipos. As imagens da África, por exemplo, são sempre de miséria. "Não se fala que Angola cresce 18% ao ano após a guerra civil", informa; não há correspondentes lá. Conclui daé que esse procedimento facilita, a manipulação.

A linguagem deve ser usada com cuidado, porque é uma porta aberta à essa manipulação, que acontece nas mínimas coisas, como na adjetivação. O termo “populista” para diminuir é um exemplo. “A linguagem é importante porque não é neutra, o tom mostra a parcialidade”, afirma Cláudia.

Sobre os bloggs, ela chama atenção que as informações desses veículos não podem ser usadas como fontes, porque nem sempre são escritas por jornalistas. São de bloggs, portanto, na editoria internacional da Folha de São Paulo, elas são usadas somente para aferir a temperatura e repercussão de uma notícia. A respeito da importância da imagem, a editora explica que ela deve completar a informação, “mas não é o processo mais pensado do jornal”, ressalta.

Por fim, a editora do Mundo responde sobre o perfil de um(a) jornalista internacional: Deve saber História ou conhecer os antecedentes. Ter curiosidade sobre outros países, afastando os preconceitos de culturas diferentes e, naturalmente, saber línguas.

Um andarilho colhe notícias nas guerras

Atuando como “repórter especial” do jornal O Estado de São Paulo, Lourival Sant’Anna começou na Folha, chegou a editorialista, trabalhou na BBC de Londres, atuou em vários países cobrindo conflitos. No Oriente Médio: Síria, Líbano, Irã, Iraque, Paquistão, Cisjordânia, Afeganistão e Israel. Nas Américas: México, Colômbia, Bolívia, Venezuela e Cuba. Sant'Anna escreveu o livro: Viagem ao Mundo dos Taleban, em que conta a experiência de entrevistar líderes talebans logo após os atentados terroristas de 11 de setembro. Ele fez, ainda, a recente cobertura da guerra no Líbano.

O jornalista goiano explicou que o contato com as fontes nos países em guerra se faz através das embaixadas brasileiras. Em Israel, é necessário se cadastrar para receber uma lista de informantes. Também conta-se com a Cruz Vermelha, a ONU, universidades e seus departamentos específicos de História, além das vítimas comuns.

Essas pessoas contam histórias verdadeiras, e o leitor gosta de relatos dos outros. As fontes oficiais estão treinadas para fazer declarações, é diferente das estórias comuns. No meio das desgraças há algumas muito interessantes, bonitas, de amor e amizade. "E temos que passar isso, porque o jornalista tem um compromisso emocional com o entrevistado", confessa.

Falando sobre a posição do profissional no país em guerra, ele diz que precisa ler sobre o conflito e se localizar onde está o acontecimento. Antes disso, Lourival aconselha aquele “foca” que quer seguir o caminho de correspondente no exterior, que os critérios necessários para exercer a atividade passa por ter um ter boa forma física, saúde, humildade, criatividade, não ter idéias pré-estabelecidas e colocar-se à disposição para aprender e reaprender.
Sant'Anna exibiu várias fotos dos muláhs muçulmanos (regentes de escolas), os encontros com os líderes Taleban (estudantes do Alcorão), a presença dos soldados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) nas ruas e no campo colombianos, o levante dos cocaleiros e mineiros na Bolívia, situações de guerra na Cisjordânia, Afeganistão, Iraque, Gaza, Líbano e Venezuela. Á proporção que mostrava os registros fotográficos, ele descrevia os eventos e dificuldades, vividos por ele, na busca de informações.
Para contar estórias é preciso saber escrever, assim o repórter define o papel do jornalista. O correspondente internacional conta que uma das coisas que mais o impressionou, na viagens, foi a destruição do patrimônio cultural iraquiano e as estórias daqueles que perderam seus entes queridos. "O Hezbollah atende socialmente as famílias dos martires e suicidas", informou.

Sant’Anna falou sobre a imparcialidade numa cobertura de guerra. Para ele, só precisa contar a história. É asneira ter que ouvir o outro lado. “O repórter não tem que ter um lado, tem que estar no lugar”, constata.

Wednesday, October 18, 2006

Construção X Desconstrução política

Neuma Dantas

As eleições para a presidência da República serão definidas numa segunda rodada de votação nacional, dia 29 de outubro/06, isso porque o candidato Luis Inácio Lula da Silva (PT/PCdoB,PMN/PTB), com preferência atestada pelas pesquisas eleitorais, não desbancou no 1º turno, como se previa, o 2º colocado, Geraldo Alckmin (PSDB/PFL). Ao contrário, na Bahia, o petista Jacques Wagner, ex-Ministro das Relações Institucionais, aglutinando nove partidos de oposição derrotou, no 1º pleito, o governador Paulo Souto (PFL). Derrota flagorosa do cacique Antonio Carlos Magalhães. A maior surpresa da eleição 2006.
Dos 125.913.479 eleitores inscritos, 48,61% escolheram votar no número 13, identificação do candidato que disputava a reeileção. Na reta final, Lula totalizava 46.662.365 votos distribuídos, principalmente, entre os estados do Norte, Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde os números mostraram percentuais de até 77,86%. Alckmin, identificado como “o candidato dos ricos” liderou a votação nos estados do Sul, Sudeste e Roraima, com 41,64% que totalizaram 39.968.369 votos válidos. Heloisa Helena (PSOL/PSTU/PCB) 6,85 % (6.575.393) e Cristovam Buarque (PDT), 2,64 %, 2.538.844 votos seguiram na contagem.
Campanha sem brilho, sem diálogo de idéias, sem interesse público e programas pouco interessantes do ponto de vista da administração de um país com a 63ª classificação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Frágeis atitudes cidadãs por parte dos eleitores, sobretudo pela pobreza da educação básica brasileira perfizeram uma campanha pífia. O que se viu foram ataques sob forma de dardos lançados por nomes comprometidos igualmente com métodos ilícitos para conseguir sucesso nas urnas.

Construções e desconstruções
Internas e externas ao Partido dos Trabalhadores contribuíram não só para abalar a imagem do operário-presidente que edificou, desde o final dos anos 70, como sindicalista, uma imagem que atraia intelectuais e amedrontava empresário, como também para perder votos. O PT, também fundado por Lula, ao completar 25 anos chegou ao poder numa onda de esperança surgida do descrédito nas posturas e práticas da classe política brasileira.
O povo creditou ao líder a reforma moral de um país já contaminado pela corrupção no parlamento e fora dele. Este, com uma história imaculada, voltou-se, emergencialmente, para os segmentos sociais e a população menos favorecida que o elegeu em massa. Auxiliares do presidente cederam às tentações do Congresso, compactuando com atitudes pouco éticas e costumeiras da Casa. Assim, escândalos explodiram, atingindo não só seus auxiliares como a própria estrela do partido, constituindo-se numa auto-destruição de suas bases.
A tentativa de compra de um dossiê com provas do envolvimento do ex-ministro da Saúde, José Serra, nas denúncias de superfaturamento de ambulâncias, mesmo não favorecendo a eleição presidencial, junto a ausência do presidente-candidato ao último debate pela televisão, influiu negativamente na vitória do PT.
Embora a economia tenha melhorado seus índices, 7 milhões de empregos oferecidos, mais de 19% de brasileiros afastados do estado da pobreza de acordo com os últimos esultados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) e Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o quadro neo-liberal não mudou muito. Por essas razões, mais o desprezo da maioria dos meios de comunicação e, os motivos citados acima, as urnas não decidiram o pleito imediatamente. A votação do candidato paulistano barrou os quase 50 pontos mais um, alcançados pelo primeiro colocado, na corrida final das eleições no primeiro período.

Passado o primeiro turno

Os candidatos arregimentam forças com novas alianças para enfrentar o pleito definitivo. O candidato Lula considerou a importância de realização de uma segunda etapa nas eleições para garantir a governabilidade. “Na política os momentos bons tardam, mas acabam acontecendo” afirmou o presidente no Rio, ao receber apoio do PMDB. Alckmin por sua vez acha que não há eleição fácil e é bom que seja disputada. “Quem ganha é o povo”, declara.
Como conseqüências das eleições de 2006, apenas sete legendas (PT, PMDB, PDT, PSDB, PFL, OO e PSB) conseguiram bom desempenho nas urnas, alcançando a cláusula de barreira e 20 partidos, incluindo grupos tradicionais, perdem espaço na Câmara. Trata-se da regra de obter pelo menos 5% da votação para deputado federal, mais 2% dos votos distribuídos em nove estados.
A partir da próxima legislação não terão o direito de acessar o fundo partidário, participações nas CPI, comissões permanentes, cargos de liderança e fazer propaganda regular e gratuita no rádio e na TV etc. A solução será fundir partidos pequenos com os maiores. Por enquanto, o objetivo da cláusula foi alcançado: diminuir o número de siglas partidárias. Resta agora, a ação maior, a reforma política brasileira.

BAHIA revelada

A maior surpresa das eleições ocorreu em terras baianas com a vitória do ex- Ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, que derrotou o grupo político do senador Antonio Carlos Magalhães com seus apadrinhados. Embora as pesquisas nem acenassem um 2º turno para o petista, a vitória menos se configurou um milagre para a esquerda ou uma derrota do governador Paulo Souto (PFL). Foi mais uma resposta ao coronelismo implantado pelo PFL baiano, uma negativa ao continuísmo político ou ao cansaço às práticas opressoras.
Esse acontecimento não trata apenas de uma virada nos 40 anos de hegemonia do grupo que se considerava dono da Bahia, ele significa mudanças de paradigmas políticos, liberdade de escolha e transformação de um curral eleitoral numa debandada de pássaros ao se livrar da gaiola. Tais demonstrações foram constatadas nas últimas eleições para o poder executivo na capital, agora o estadual e o senado federal com o triunfo do ex-governador, João Durval Carneiro, pai do prefeito João Henrique, sobre o candidato governista.
A vitória das oposições foi trabalhada exaustivamente ao longo da campanha, principalmente no interior do estado. A proposta da “casadinha” surtiu efeito. O eleitor baiano, talvez com receio de represálias políticas, somados aos motivos explícitos, não confessou abertamente suas intenções para as urnas. Essa é uma explicação plausível para a enxurrada de votos que surpreendeu até mesmo a coligação, derrotando o carlismo.
Constatado nas urnas o candidato do PT foi agraciado com 3.242.336 votos perfazendo 52,89 pontos percentuais a favor. O governador Paulo Souto recebeu 2.638.215 o que corresponde a 43,03% dos votos baianos. Passada a surpresa, o governador eleito foi convocado a incorporar a comissão de coordenação da campanha do PT, enquanto o senador segue seus conhecidos métodos ameaçando “voltar triunfalmente após o mau governo de Wagner”. Sonha quem perdeu.

Lula vence nas promessas de votos

Neuma Dantas
Na primeira sexta-feira após o turno inicial das eleições, o DataFolha divulgou a preferência do candidato Luis Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenções de votos no segundo pleito. O candidato à reeleição tinha 54% dos votos válidos contra 46 para Geraldo Alckmin. Na semana seguinte, sexta 13, os pontos aumentaram em diferença a favor do petista. Agora são 14 de frente, segundo o Ibope. Os efeitos que nocautearam o presidente candidato parecem estar se afastando, razões essas que devolvem otimismo à disputa do candidato da situação.
O levantamento mostrou que o ex-governador de São Paulo perdeu pontos entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda, os quais tiveram mais acesso ao programa da Band e suas repercussões; demonstra que Lula ganhou pontos na região sul onde o tucano leva vantagem; entre os eleitores com idade entre 25 e 34 anos Alckmin é desfavorecido. O petista também é beneficiado em mais pontos em todas as faixas de renda familiar mensal acima dos dois mínimos e cresceu entre aqueles que recebem entre cinco e dez salários mínimos. Em meio aos eleitores com ensino médio e superior, Lula variou positivamente.

O fato das análises apontarem uma vitória ao candidato da coligação “A força do povo” logo após o debate da rede Bandeirantes de Televisão, tem demonstrado que a observação feita por vários segmentos da imprensa e da sociedade sobre o tom agressivo do ex-governador paulista, voltou-se contra o feiticeiro. Nessa oportunidade, a postura de “batedor” do insosso Alckmin não foi apreciada pela população, que teria preferido ouvir temas programáticos. Afinal, essa é a finalidade de um debate.
O jornal Estadão, em análise do crescimento do presidente e postulante a continuar no Palácio do Planalto, disse que “a imagem do boxeador, frente à postura humilde apregoada por Lula frente às câmaras, pode ter se voltado contra o tucano”.
Acredita-se por outro lado, que na ânsia de fechar alianças, o PSDB/PFL não foi feliz ao associar-se ao casal Garotinho no Rio de Janeiro. César Maia chegou a dizer publicamente que o candidato paulista fez acordo com a corrupção. A primeira crise na oposição afastou votos do pretendente ao Palácio do Planalto.
Em seu blog no portal da UOL Fernando Rodrigues diz que “o argumento da estabilidade econômica do país entre os eleitores deve estar voltando com vigor na faixa da classe média remediada (os que ganham de 5 a 10 salários mínimos)”. Para eles, conclui o jornalista, “a sensação de estar igual, ou melhor, do que há quatro anos é uma realidade”, e esse motivo traduz-se em votos.
Outra explicação para o contínuo avanço de Lula entre as preferências de votos é a herança recebida da senadora Heloisa Helena e do também candidato derrotado Cristovam Buarque. Os eleitores desses presidenciáveis são em sua maioria, de classe média, com curso superior e de perfil esquerdista, avalia o prefeito do Rio, deduzindo a causa da transferência de votos.
Em entrevista ao Estado de São Paulo, no último 16 de outubro, um dos coordenadores da campanha de Lula, Jacques Wagner afirma que não reconhece no governo do PSDB/PFL nenhum exemplo de comportamento ético. Seguramente o brasileiro também sabe do que o governador eleito da Bahia proferiu.

O porquê das pesquisas

Hoje, supõe-se que o crescimento do ex-governador paulista às vésperas das eleições não se deu por seus próprios méritos, e sim pelas conseqüências do caso “dossiêgate”, a compra de pasta que guardava provas do envolvimento dos tucanos no caso dos sanguessugas. Como a campanha tem um ritmo muito dinâmico, esse fato parece ter passado.
O jornal Nacional acaba de divulgar a última pesquisa do Instituto DataFolha, a vantagem em relação à pesquisa anterior se amplia de 11 para 19 pontos. A 12 dias da disputa eleitoral, Lula retém 60% dos votos válidos contra 38% de Alckmin Mike Tyson.
Mesmo tendo o Tribunal Superior Eleitoral e a imprensa, em quase sua totalidade contra o presidente, nomeadamente a poderosa rede Globo que vem patrocinando “flagrantes” junto a delegados de honra duvidosa, o candidato segue desafiando todas as crises e tentativas de golpe contra sua candidatura. Ao que tudo indica, vai vencer as eleições.
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Primeira batalha na guerra do poder

Neuma Dantas
Os dois candidatos às eleições presidenciais da república defrontaram-se ontem num debate, considerado no mínimo, desfocado dos interesses públicos.
Os postulantes ao maior cargo do país envolveram-se em agressões relativas aos seus feitos políticos e a posturas comprometedoras de seus respectivos partidos. Embora Lula tenha tentado discutir temas básicos de programas de governo, a hipocrisia travestida de ética e a corrupção dominou o tom das respostas, levadas pelo tucano Alckmin.
O debate promovido pela rede Bandeirantes de Televisão, mediado por Ricardo Boechat, foi dividido em cinco blocos, o último dos quais com a participação dos jornalistas Franklin Martins, Joelmir Beting, Fernando Vieira de Mello e José Paulo de Andrade, argüindo os candidatos.
Numa pesquisa realizada pelo DataFolha no dia seguinte ao debate, 39% da população brasileira assistiu ao programa. Conforme Renato, os eleitores consideraram empate para ambos os presidenciáveis, considerando a margem de erro, de apenas dois pontos percentuais, 43 e 41 por cento, ligeiramente favorável a Alckmin.
“Lula foi mal no começo. Nervoso, não respondeu de maneira convincente as acusações de corrupção. Alckmin também não ficou atrás, ao deixar em aberto os casos obscuros de governos tucanos e do seu próprio, em São Paulo”. Essa é uma avaliação feita por Fernando Rodrigues em seu blog no UOL dia seguinte ao debate. Para ele é difícil dizer quem venceu, o jornalista considera que o eleitor, sim, foi beneficiado com o confronto dos candidatos.
O jornal O Estado de São Paulo, avaliou o encontro televisivo entre Alckmin e Lula como uma “guerra de números e troca de ataques e provocações”, sem contudo trazer conteúdo programático. O jornal também salientou o tom agressivo e incomum do candidato oposicionista. Enfim, para o Estadão, perguntas contundentes como casos de corrupção no PT e abafamento de CPIs pelo PSDB, ficaram sem respostas.

“Não perca tempo com debates” foi o título da coluna escrita por Paulo Nassar, na Terra Magazine, sobre o assunto. O colunista disse que os candidatos perderam sua identidade, respondendo às perguntas segundo “um script mecanicista”, e acrescentou que tempo perdeu quem assistiu “aquele simulacro de debate”, quando se pode conferir “a irrelevância da arena política”.
Professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Paulo Nassar alfineta os profissionais de comunicação, afirmando que “nesses debates, as roupas, maquiagens, as torcidas, os temas são obras de equipes multidisciplinares de comunicação, nas quais relações-públicas, jornalistas e publicitários se transformam em spins- doctors”, ou seja “aqueles protagonistas das sombras do marketing político que trabalham movidos por muita grana para desqualificar os adversários girando na contra-mão dos fatos”, acrescenta o Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE), constatando que de política há pouco nos debates.
O jornal A Tarde Online formou enquete dia seguinte ao confronte televisivo, quando 21.470 internautas responderam à pergunta “quem teve melhor desempenho no debate?”. No final da semana 66,46% dos votantes consideraram o presidente Lula vencedor do embate. Os outros 33,54% dos eleitores acreditaram que o opositor foi melhor.

O furacão cítrico

Neuma Dantas
Apesar do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) prevê uma colheita de 340 milhões de caixas de laranja no ano-safra paulista 2006/07, ante 290 milhões no ciclo anterior, ao preço de R$12,20 por caixa de 40,8 kg., esse volume não significa que o movimento dos preços no Brasil tenha expressivo efeito sobre as cotações dos contratos futuros do suco de laranja negociados na bolsa de Nova York.
A análise feita no Fimat Futures pelo analista Michael McDougall leva à uma contradição no mercado internacional de cítricos. A plantação nacional, beneficiada com chuvas e frente fria, conforme Margarete Boteon, pesquisadora do Cepea, garantirá 80% dos frutos à indústria brasileira. Com essa alta, os preços alcançaram um acréscimo de 6,4% no mercado interno, comparados ao mês de agosto/06, passando a caixa de 40,8 kg a custar, R$12,20.
Para completar o cenário positivo da safra de São Paulo, os preços no mercado físico subiram 0,6% no mês passado provocados pela oferta escassa de frutas de boa qualidade no mercado interno e a grande procura pelas indústrias exportadoras de suco. Diante do quadro positivo e da necessidade de um reajuste emergencial dos contratos de fornecimento na temporada 2006/07, os produtores aguardam a posição das indústrias para alavancar seus lucros.
As empresas esperam a aprovação da minuta do acordo pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) até o fim do mês. Tal expectativa justifica-se pela defasagem nos negócios externos de contratos, sobretudo os fechados abaixo de US$ 3 por caixa.
Dos furacões no estado da Flórida, maior competidor do Brasil em produção de sucos cítricos, depende as oscilações, em valores, dos preços do produto na bolsa de Nova York e o volume de exportações de laranjas brasileiras para os Estados Unidos. Como a tempestade tropical Florence não passará pelo estado, em conseqüência, o contrato para novembro recuou, para US$ 1,8035, nessa sexta-feira.
A contradição se estabelece no comparativo das safras. A estimativa mais recente para a Flórida é de 123 milhões de caixas, ante projeções iniciais de 170 contra 340 milhões paulistas. Não obstante São Paulo prevê maior colheita de laranjas, garantindo-lhe lucratividade em solo nacional, seu desempenho não influencia a bolsa nova-iorquina; ao contrário, vai amargar a baixa dos contratos futuros em 10 pontos percentuais.
Segundo MacDougall os preços do suco subiram mais de 200% desde 2004 e a tendência é de alta neste mês. (CB)

Thursday, October 12, 2006

Investir na Bolsa de Valores pode ser mais fácil do que se parece

Bruna Bianca

O Investidor Brasileiro tem medo de arriscar.Traumas à parte, está na hora de começar a pensar em como obter uma rentabilidade diferenciada e conseguir de fato se tornar um investidor. Apesar dos especialistas afirmarem que comprar ações foi um dos melhores investimentos dos últimos três anos, quantas pessoas, que você conhece, sabem o que é Bolsa de Valores e entendem ao menos um pouco sobre isto? Entre 2003 e 2005, o retorno médio do índice Bovespa, principal termômetro do mercado acionário, foi de 48% ao ano, mais que o dobro da renda fixa.

O grande “freio” é a cultura do “manter o dinheiro” aplicado na poupança, mesmo com rendimento baixo. Na contramão desta corrente, grande parte da população norte-americana se arrisca e investe. É comum nesses países ver pais comprando ações para seus filhos e depois recolhendo o dinheiro para pagar seus estudos no futuro. O interessante é que apesar das pessoas não se darem conta, este quadro também vem crescendo no Brasil. Em julho, mais de 25% dos negócios realizados na Bolsa de Valores de São Paulo, foram de pequenos investidores, percentual que era menos de 7% no inicio do Plano Real.

A dificuldade para se investir, é que é preciso saber direitinho o que está se fazendo, já que de fato, existem riscos. O problema é que faltam subsídios e educação econômica à população brasileira, ninguém no colégio ouve falar sobre isso. O assunto, entretanto, não é tão complicado quanto parece.

Ações são papeis que as Empresas emitem e negociam. Cada pessoa que adquirem estas ações, passa a ser sócio da Empresa, ou um acionista. O que significa, para quem as possui, adquirir uma fração do capital social de uma empresa ou pedacinhos desta.

Existem as ações ordinárias, que permitem o poder de decisão na Empresa, e as preferenciais que não concedem este direito. Comprar uma ação significa acreditar na Empresa e investir nela, esperando obter rendimento a longo prazo, o que, em contrapartida, exige destas mais transparências e responsabilidades por parte de suas atividades.

Além das ações, existem os dividendos, que correspondem às parcelas de lucros, distribuídas aos acionistas na proporção de ações detidas.Quando a Empresa vai bem, ela divide os lucros com quem tem suas ações.Para comprar estas ações o investidor pode recorrer a uma Corretora, que será seu guia (intermediário financeiro), com profissionais especializados, capacitados a dar orientações sobre investimentos, receber ordens e negociar.

Há possibilidade também de se investir, através da Internet, utilizando o site da Corretora, Home Broker, para mandar sua ordem de compra ou venda, direto para bolsa. O que geralmente é mais arriscado e indicado para pessoas que tem um conhecimento mais avançado.

O investimento, contudo, vem a longo prazo. Apesar dos investidores estrangeiros estarem receosos de colocarem dinheiro aqui no Brasil, a boa noticia é que dá para ganhar dinheiro mesmo assim, como analisaram os especialistas consultados pela revista EXAME de setembro. Para se ter uma idéia do negócio, de acordo com a revista de ValorInveste também de setembro, a ação da Sadia PN valorizou 641% e o papel Perdigão alcançou alta de 644%, superiores a qualquer índice de mercado.

Como Investir

Para investir, existem diferentes opções: individualmente, por meio de fundos de ações, ou através de Clube de Investimentos. O mais indicado é procurar uma corretora para auxilio nessas atividades. Hoje existem 1500 clubes de investimentos de todos os tipos no país. Criar um grupo como este é simples, basta reunir três pessoas com o objetivo de comprar ações. Podem ser parentes, colegas ou até desconhecidos. O serviço é pago e as corretoras cobram taxas que variam de 0,5 a 4% ao ano.

Individualmente, o investidor procura a corretora, preenche uma ficha e escolhe as ações que quer adquirir, ele pode fazer isso através da corretora ou pelo site, na Internet, por meio do Home Broker.Através dos Fundos de ações, o investidor compra cotas de um fundo de ações e toda a gestão fica a cargo de profissionais, opção ideal para quem é leigo. A outra opção, ainda, é ganhar com os dividendos das empresas. Todas as companhias brasileiras de capital aberto são obrigadas a distribuir quarto de seu lucro em dividendo para seus acionistas, como dito anteriormente. O que cria uma oportunidade par aos investidores que buscam retornos menos voláteis na bolsa. Nesse caso, a idéia é comprar ações de empresas grandes, estáveis e lucrativas para ganhar com a divisão de seus resultados.

Um exemplo disso é a Telesp que há pouco pagou um adicional de quase 16% sobre o preço de suas ações nos últimos 12 meses. Essa estratégias de viver de dividendos é bastante comum nos Estados Unidos,tanto que um grupo de senhoras, as Beardstown Ladies, ficou conhecido no mundo inteiro por darem início a um grupo de investimentos que se tornou famoso por investir em ações de empresas conhecidas e superar o rendimento médio da Bolsa de Nova York por mais de uma década.

Mais informações:
http://www.ini.org.br/
http://www.bovespa.com.br/

Monday, October 09, 2006

Política do pão e circo agora é feita com frango.

By Vauline Gonçalves

Na tarde do dia 13 de agosto último, membros da Organização mundial do Comércio (OMC), da União Europeia e da Camara de exportação barsielria, entre outros órgãos, se reuniram em Genebra para discutir as taxas cobradas sobre o frango exportado do Brasil para a Europa. A camara reivindica a efetivação da decisão tomada pela OMC em 2005, de reduzir as taxas cobradas pela Europa, que eram de 75% para o frango congelado, salgado e processado.
Além deste empasse, foram discutidas também as cotas para exportação. Enquanto o peito de frango salgado deveria obedecer a uma cota superior a 140t., o frango e peru processados não deveria exceder 130t.
O veredito da OMC caiu como uma bomba anestésica sobre o mercado exportador. Ficou decidido que as taxas seriam reduzidas para no máximo 15%, mantendo uam diferença de 5% entre o frango salgado e os processados. Contudo, isso seria invalidado caso houvesse a comercialização fora das cotas. Aí sim entra a perspicácia européia. A cota de exportação para o peito de frango salgado passa a ser de 170t, no mínimo, e a de processados 150t.
Para esclarecimento e melhor entendimento, o frango processado é o produto preparado para consumo, enquanto o frango salgado consiste na ave in natura. Fica a questão: Se a cota mínima para exportação do “in natura” é de 170 t. e do processado é 150t, o que devemos fazer com as 20t. restante? Isso sem contar que mais de 40% da produção de frangos do estado de São Paulo, por exemplo, é voltada para este mercado.
Ante toda essa conquista na redução das taxas ninguém se pergunta o porquê desta discrepância entres as cotas, além das taxas elevadas. A gripe aviária seria a única responsável pelo embargo do frango brasileiro na Europa? É hora de abaixar a lona do circo e abrir os olhos para esta questão.

Sunday, October 08, 2006

Sobretaxas de exportação podem fazer o Brasil perder US$ 300 milhões por ano

Bruna Bianca


Na última quarta-feira (13/09) o Brasil realizou em Genebra (Suíça), uma reunião com a Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir sobre as sobretaxas cobradas para os cortes de peito de frango salgado. Hoje a Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef) estima em US$ 300 milhões anuais as perdas com a alta da tarifa européia.

O frango congelado brasileiro pagava tarifa de importação de 75%, mas a partir de 2001, os cortes de peito de frango salgado passaram a pagar 15,4%. Em 2003 as autoridades européias igualaram em 75% as tarifas para os vários tipos de frango (congelado, resfriado e salgado).

De acordo com o embaixador Guilherme Leite Ribeiro, chefe do escritório financeiro das relações exteriores em Nova York, o Brasil tem o maior potencial de terras agrárias do mundo e o segundo maior produtor de frango, o que faz o Brasil ser o segundo maior exportador de frango do globo, enviando mercadoria inclusive para a União Européia (UE).

Isso acontece porque o país possui vantagens comparativas (produzir algo com menor custo/insumos mais baratos aqui) e absolutas (relação de tempo e quantidade de produção) na criação de frango em relação a qualquer país do mundo com custo da produção de frango menor do que em qualquer outro lugar.

Tais vantagens ocorrem, por conta do investimento em tecnologia de ponta para a criação de frango, e ao preço dos insumos como milho, sorgo e outros grãos utilizados para alimentar as aves, que são muito baratos, devido em grande parte ao clima favorável e terras abundantes para o cultivo.

Segundo matéria publicada na Folha de São Paulo em maio de 2005, apenas no ano de 2004, a UE foi responsável por 19% das receitas brasileiras com as exportações de frango.Isso significa ser esta uma fonte rentável para o país. Se o Brasil não exportasse frango, na época, iria ter uma perda em divisas estimadas na ordem de 469 milhões de dólares por ano.

Por conta disso, os europeus não têm como competir nem com o preço nem com a qualidade de nossa carne branca. Deste modo, para proteger seus criadores de frango a União Européia sobretaxa o produto proveniente do Brasil. Práticas essas que são proibidas pela OMC, por tornar o comércio mundial injusto, especialmente para os países em desenvolvimento.

O Brasil, por outro lado, tem vencido importantes batalhas na OMC, referentes aos subsídios oferecidos pela União Européia e os Estados Unidos a seus produtores de açúcar. Portanto, é mais que justo que o país recorra a OMC para fazer valer seus direitos em tempos de livre comércio. Por de trás dessa barreira comercial imposta pelos europeus, sobre a forma de sobretaxas, esconde-se o cruel lado social do problema, pois com o país exportando menos, empregos estão em ameaça, já que o trabalhador menos qualificado acaba sempre sendo penalizado.

Além disso, se tais imposições continuarem em vigor, existe o risco da balança comercial brasileira pesar negativamente (diferença entre exportação e importação). A exportação mesmo que indiretamente gera empregos, traz divisas para o país e gera melhoras no quadro social brasileiro. A sobretaxa na exportação do frango pelos europeus é desleal, fere o principio do livre mercado e dificulta o crescimento sustentável de nações em desenvolvimento como o Brasil.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u96575.shtml
http://www.radiobras.gov.br/abrn/brasil/brasilsabia.htm

Nosso Desafio: promover crescimento e controlar a inflação

Bruna Bianca

As novas propostas do Ministro Guido Mantega para redução dos juros são um tanto quanto promissoras e beneficiam diretamente a camada menos favorecida da população que iludida com o financiamento e sem uma educação financeira propícia, se endivida horrores com os altos juros que assolam o nosso país.

Não são propostas pouco ambiciosas, mas muito. O Brasil sofre de um problema sério de dívida interna, é preciso reverter esse quadro. Com juros elevados nosso PIB apresentou resultados surpreendentes como um dos crescimentos mais baixos em todo o mundo. A coisa é tão séria que 33% corresponde apenas ao crédito, o que dificulta até mesmo o desenvolvimento de pequenas e médias empresas.

A idéia de Mantega faz sentido: promover a livre concorrência entre os bancos para que o consumidor possa escolher o que mais lhe convêm, nada mais justo. Portabilidade do crédito mobiliário, crédito consignado,cadastro do cliente, exclusão das taxas de transferência e cadastro positivo do correntista só vêm facilitar a vida do consumidor e pequeno empresário que não tem mais que brigar pela competição entre os bancos e sim esperar que eles briguem para lhe oferecer um melhor serviço.
A questão é se realmente essas propostas têm condições de serem implementadas visto que o valor do conjunto de itens básicos da cesta básica teve elevação de 2,23% e 0,41%, respectivamente em Porto Alegre e Belo Horizonte de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), em estudo realizado no mês de agosto indicando, um alto nível de inflação.
Medidas como essas podem estimular o consumo, mas não se deve perder de vista este índice inflacionário apontado. O que tem sido o grande dilema do país: crescer com a inflação controlada. Indubitavelmente precisamos crescer a taxas maiores para poder gerar mais emprego e distribuição da riqueza. Facilitar o crédito para que isso ocorra é uma media inteligente, no entanto é preciso ficar atento para observar se a inflação continuará sobre controle já que um mercado super aquecido pode também prejudicar nossa economia.

Thursday, October 05, 2006

PRODUÇÃO DE AÇAÍ NÃO ACOMPANHA DEMANDA DO MERCADO

Por: Diego Luduvice.
04/10/2006

A filosofia do culto ao corpo é uma realidade presente na sociedade contemporânea. A influência das mídias e das propagandas é um dos motivos para esta vertente. Na mesma direção despertou-se o interesse dos jovens por academias e por uma vida mais saudável. Mas um estilo de vida correto em relação à saúde depende de uma alimentação adequada com frutas, verduras e vitaminas. Neste contexto estão inseridos os estabelecimentos que vendem sucos a base de açaí, um setor em constante crescimento na cidade de Salvador.

Vários estabelecimentos que vendem açaí e seus derivados surgiram em Salvador nos últimos anos. Todo e qualquer bairro da cidade tem no mínimo um ponto de venda de sucos de açaí. Os dados não mentem: o crescimento real anualmente é de 30% para o mercado de açaí segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) da Amazônia Oriental.

Conseqüentemente, a produção e colheita desta fruta tipicamente da região amazônica elevam-se em média 5% a cada ano. Para se ter idéia, um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que a produção florestal no Brasil rendeu R$ 8,5 bilhões em 2004, sendo 38% referentes a produtos coletados em vegetação nativa espontânea, onde o açaí teve um aumento de 12% em relação a 2003.

A orla de Salvador é o local de maior ascensão da comercialização dos sucos de açaí. Um exemplo que justifica o acontecimento é a história de José Vitorino, dono de uma rede de estabelecimentos denominada “Ácidos Naturais” localizados nos bairros do Imbuí e da Pituba. “No início vendia o suco e sanduíches pelas praias da cidade com minha esposa Gabriela”, conta Vitorino. Logo expandiu seu empreendimento e hoje disponibiliza de dois pontos de comercialização.

Segundo uma das funcionarias e cunhada do dono da Ácidos Naturais do Imbuí, Andréa Borges, “os jovens são os maiores consumidores dos produtos, principalmente aqueles que praticam esportes ou freqüentam academias”. O público apesar de bem variado é marcado pela presença massiva de adolescentes e esportistas, que são os responsáveis pela demanda dos estabelecimentos onde o carro chefe é o açaí.

Os preços variam nos diversos estabelecimentos. A mistura mais pedida é o açaí com banana, granola e guaraná em pó, que custa na Ácidos Naturais R$4,50. Já o açaí com morango, cupuaçu ou maçã com granola custa R$5,50 no mesmo local. Em contrapartida, locais como Coliseu do açaí situado próximo ao Largo de Roma a combinação do açaí com banana custa R$3,50 e no Mirante do Açaí no bairro do Garcia R$4,00 a mesma mistura.

Outra razão apontada para o crescimento da comercialização de sucos de açaí é o valor agregado ao produto. “Não vendemos apenas açaí, mas também sanduíches, sucos diversos, produtos naturais, artigos esportivos, camisetas, acessórios de surf e outros”, revela Janderson Melo, atendente de caixa da Ácidos Naturais. Em alguns casos é fornecida toda uma estrutura física para propiciar um maior conforto para os clientes. Computadores com acesso à internet e salas de reuniões servem como exemplo da sofisticação deste ramo de atividade que movimenta cada vez mais a economia dos bairros onde estão inseridos.

Entretanto, o crescimento da produção de açaí (5% ao ano) não acompanha o crescimento do mercado (30% ao ano), gerando uma alta de preços que é sentida primordialmente pela população de menor poder aquisitivo que utiliza o açaí como fonte de alimento, ao contrário de classes mais favorecidas que consumem o produto eventualmente. Esta disparidade pode atrapalhar o desenvolvimento deste ramo, por isso são necessárias medidas preventivas para a equiparação do que é produzido com a demanda do mercado.